Araguaína vive um fevereiro atípico e histórico. Com 481 mm de chuva registrados até o dia 25, o município superou em quase 45% a média histórica dos últimos seis anos. O volume extremo, que teve seu ápice na última quarta-feira (25) com 50 mm em apenas 30 minutos, colocou à prova o sistema de drenagem da cidade e acelerou o cronograma de obras de macrodrenagem da gestão municipal.
Os dados do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) confirmam que 2026 é, até agora, o ano mais desafiador da década para a infraestrutura urbana local. Para se ter uma ideia da magnitude, a média para o mês de fevereiro desde 2020 era de 333 mm.
Comparativo de Fevereiro (Volume em mm):
- 2026: 481 mm (Recorde)
- 2021: 391 mm
- 2020: 383 mm
- Média Histórica: 333 mm
A principal estratégia da Secretaria de Infraestrutura tem sido a construção de bacias de detenção. Diferente de canais comuns, essas bacias funcionam como “pulmões”, segurando o excesso de água e liberando-o gradualmente para os córregos.
- Córrego Canindé: Funcionando plenamente próximo ao Parque Cimba.
- Córrego Neblina: Bacia em fase de conclusão já auxilia na retenção das águas das Vilas Norte, Couto e Maracanã. Uma segunda unidade está em construção para operar no próximo inverno amazônico.
Araguaína enfrenta um “efeito funil” natural. O Córrego Neblina atravessa a cidade em um arco e recebe afluentes como os córregos Água Fria e Tanque. O ponto crítico ocorre onde esses cursos d’água se encontram na região central, antes de desaguar no Rio Lontra.
Segundo o secretário de Infraestrutura, Frederico Prado, a solução definitiva passa pela canalização: “Isso faz com que a água escoe mais rápido até a foz, o Lago Azul, impedindo que ela suba para as vias”.
Embora as imagens de alagamentos na Marginal Neblina assustem, a análise técnica mostra que o tempo de escoamento da água diminuiu em relação a anos anteriores, indicando que as bacias de detenção estão cumprindo seu papel parcial. No entanto, o recorde de 481 mm acende o alerta para a necessidade de adaptar as cidades tocantinenses a eventos climáticos cada vez mais extremos e concentrados, onde o volume de um mês inteiro cai em poucos dias.
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