Neste 19 de março, o Tocantins celebra o Dia do Artesão, data que coincide com o dia de São José, padroeiro de Palmas. Mais do que uma habilidade manual, o artesanato no estado mais jovem do país é um pilar da identidade cultural, um reservatório de memória ancestral e um motor estratégico para a economia local.
Das fibras do Cerrado aos metais nobres, a produção tocantinense reflete a diversidade de seus povos — indígenas, quilombolas e comunidades ribeirinhas — conectando a tradição de séculos com a inovação do mercado contemporâneo.
As joias da terra: matérias-primas e símbolos
A identidade do artesanato tocantinense é moldada pelo uso sustentável da natureza. Algumas tipologias se destacam pela exclusividade e pelo reconhecimento nacional:
- Capim-Dourado: A “joia do Jalapão”. Produzido principalmente na comunidade quilombola Mumbuca, o saber de costurar a haste dourada com a seda do buriti foi reconhecido como manifestação da cultura nacional por lei federal em 2024.
- Filigrana de Natividade: Herança do período colonial, a técnica utiliza fios finíssimos de ouro para criar joias delicadas, mantendo viva a tradição dos mestres ourives da região sudeste.
- Bonecas Ritxoko: Patrimônio cultural brasileiro, as cerâmicas produzidas pelas mulheres do povo Karajá são ferramentas de transmissão de mitos e cenas do cotidiano indígena.
- Babaçu e Buriti: No Bico do Papagaio e região central, o coco e a palha se transformam em biojoias e cestarias. Destaque para a viola de buriti, símbolo sonoro e artesanal do estado.
Impacto econômico e políticas de fomento
Para além do valor simbólico, o setor é um eixo relevante da economia criativa. Segundo a Secretaria da Cultura (Secult), o artesanato gera renda direta para milhares de famílias, especialmente no interior.
Entre 2023 e 2025, o apoio do Governo do Tocantins para a participação de artesãos em feiras nacionais (como a Fenearte) gerou cerca de R$ 2,2 milhões em negócios, entre vendas diretas e encomendas. Atualmente, o estado conta com mais de 3 mil profissionais cadastrados no Sistema de Informações Cadastrais do Artesanato Brasileiro (SICAB), o que garante acesso à Carteira Nacional do Artesão e benefícios como isenção de ICMS e microcrédito.
Preservação da memória e mestres do saber
Como muitas peças artesanais são sensíveis ao tempo, a preservação se dá através do registro das trajetórias dos mestres. A Secult tem investido em documentários audiovisuais para salvaguardar esses conhecimentos:
- Dona Regina (Labirinto): Referência na técnica do labirinto em Almas, falecida em 2025 aos 103 anos, teve sua técnica documentada para as futuras gerações.
- Seu Zeca (Buriti): Aos 101 anos, o artesão de Porto Nacional segue produzindo mobiliário sustentável com madeira de buriti, passando o ofício para seu filho, o artesão Tauru.
Próximos passos e valorização
O desafio da gestão estadual segue sendo a ampliação da comercialização e o fortalecimento das associações. Com editais via Política Nacional Aldir Blanc (PNAB), o objetivo é garantir que o “feito no Tocantins” ocupe cada vez mais espaços de destaque em vitrines nacionais e internacionais.
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Foto: Kadu Souza/Governo do Tocantins