O setor produtivo do Tocantins entrou em estado de alerta. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado (FAET) acionou oficialmente o Procon/TO para exigir um monitoramento rigoroso sobre o preço do óleo diesel. A entidade entregou um levantamento técnico detalhado que aponta distorções injustificáveis e uma forte dispersão de valores entre os municípios, o que compromete diretamente a competitividade do agronegócio regional.
A análise da FAET não se baseou em suposições, mas no monitoramento de 172 postos de combustíveis em todo o estado. Cruzando dados oficiais do Procon com levantamentos dos Sindicatos Rurais, a federação identificou que o Diesel Comum e o S10 apresentam variações abruptas que não acompanham a política nacional de preços nem os custos logísticos reais.
Um dos pontos mais críticos levantados é a falta de repasse da desoneração federal. Mesmo com o Decreto nº 12.875/2026, que zerou as alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre o diesel, o alívio não chegou ao campo na mesma proporção. “O foco é verificar se essa desoneração está sendo efetivamente repassada ao consumidor final”, afirmou Paulo Carneiro, presidente da FAET.
Para o produtor rural, o diesel não é apenas um combustível, é um insumo básico de produção. Sua alta impacta todas as etapas do ciclo agrícola:
- Mecanização: Utilização em tratores e maquinário para plantio e manejo.
- Colheita: Operação de colheitadeiras que possuem alto consumo por hectare.
- Logística e Escoamento: Transporte da safra das fazendas até os armazéns e portos.
A instabilidade de preços gera insegurança no planejamento. Relatos de Sindicatos Rurais indicam que elevações rápidas e pontuais ocorrem em janelas críticas da produção, o que pode reduzir a margem de lucro e encarecer o produto final para o consumidor tocantinense.
Com o relatório técnico em mãos, o Procon deve intensificar as visitas a postos e distribuidoras para exigir a comprovação das notas fiscais de compra. O objetivo é dar transparência à formação de preços e evitar que o mercado atue de forma heterogênea, penalizando o setor que mais gera riqueza para o estado.
Foto: Divulgação FAET