A Polícia Civil do Tocantins deflagrou, na manhã desta quinta-feira (12), a Operação 2º Tempo, focada em um suposto esquema de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa em Tocantinópolis. A investigação da 1ª Deic apura o desvio de R$ 5,1 milhões dos cofres municipais destinados ao Tocantinópolis Esporte Clube (TEC). Entre os alvos de busca e apreensão estão o prefeito Fabion Gomes (PL) e o presidente do clube, o sargento da PM Leandro Pereira de Sousa. Documentos, computadores e registros contábeis foram apreendidos na sede do clube e em secretarias da prefeitura para detalhar como verbas públicas foram parar em contas pessoais de dirigentes.
A Anatomia do Suposto Esquema
Com base em relatórios do Coaf e do Tribunal de Contas do Estado (TCE/TO), a Polícia Civil identificou que a fraude operava em um ciclo de três etapas para burlar a fiscalização:
- Repasses à Revelia da Lei: Transferências eram autorizadas mesmo após alertas de ilegalidade emitidos pelo TCE. Os repasses suspeitos teriam começado ainda em 2009.
- Simulação e Fachada: O clube era utilizado para justificar os gastos. Atas e recibos eram falsificados para dar uma aparência de legalidade a movimentações que não possuíam interesse público ou esportivo comprovado.
- Lavagem e Redistribuição: Assim que o dinheiro público entrava na conta do clube, era pulverizado em contas de terceiros ou sacado em espécie para dificultar o rastreio do destino final.
O Que Dizem os Envolvidos
A operação causou forte impacto político na cidade. O prefeito Fabion Gomes utilizou as redes sociais para apresentar sua versão dos fatos:
- Defesa: Afirmou que, em sua atual gestão, os pagamentos ao TEC foram suspensos por ordem judicial.
- Justificativa: Alegou que os repasses feitos em mandatos anteriores seguiam a legislação municipal que vigorava na época.
Participação da Polícia Militar: Como o presidente do clube é um sargento da ativa, a Corregedoria da Polícia Militar acompanhou a ação. A instituição deve abrir procedimentos internos para apurar a conduta administrativa do militar diante das acusações de organização criminosa e peculato.
Histórico de Irregularidades
O “2º Tempo” no nome da operação remete ao fato de que o TEC já era alvo de monitoramento desde 2007. Naquele ano, o TCE julgou a prestação de contas irregular por falta de autorização legal para transferências financeiras. No entanto, a investigação aponta que o esquema não foi interrompido, apenas refinado com o uso de documentos falsos.
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Foto: PCTO/Divulgação