Home Saúde e Qualidade de Vida Especialistas alertam que automedicação atinge 90% dos brasileiros e oferece riscos vitais

Especialistas alertam que automedicação atinge 90% dos brasileiros e oferece riscos vitais

por Revista Cenariun

O hábito de interromper tratamentos por conta própria, ignorar horários ou consumir remédios sem prescrição médica deixou de ser uma questão individual para se tornar um problema coletivo de saúde. Dados do Instituto de Pesquisa e Pós-Graduação para o Mercado Farmacêutico (ICTQ) mostram que a automedicação é quase onipresente no país. Segundo especialistas da Rede HU Brasil, esse comportamento é alimentado pelo mito de que “se é remédio, não faz mal”.

As consequências, no entanto, são severas. Juliano Pereira, chefe de Farmácia Hospitalar do Hospital de Doenças Tropicais (HDT-UFNT), sediado em Araguaína, explica que o uso inadequado pode causar danos irreversíveis a órgãos vitais, como os rins, além de promover interações medicamentosas perigosas, especialmente em idosos que já fazem uso de múltiplos fármacos (polifarmácia).

Um dos pontos mais críticos levantados pelos especialistas é o uso incorreto de antibióticos. Quando um paciente interrompe o tratamento antes do prazo ou utiliza o medicamento de forma desnecessária, ele contribui para a evolução de bactérias resistentes.

Estima-se que a resistência bacteriana já cause mais de 1,2 milhão de mortes anuais no mundo. Se o ritmo atual de uso irracional persistir, as projeções indicam que esse número pode saltar para 10 milhões de óbitos por ano até 2050, superando muitas outras causas de morte globais.

Tecnologia e Cuidado no SUS

Para combater esse cenário, os hospitais universitários federais têm adotado estratégias que unem inteligência artificial e humanização:

  • IA Noharm: Sistemas de apoio à decisão clínica analisam prescrições e exames em tempo real para identificar riscos e evitar erros de dosagem.
  • Farmácia Clínica: O farmacêutico deixou de ser apenas um gestor de estoque para atuar diretamente nos leitos, participando de visitas clínicas e protocolos de segurança.
  • Triagem e Conciliação: No HDT-UFT, todas as prescrições passam por triagem para evitar duplicidade de medicação e verificar o histórico de alergias do paciente logo na internação.

O que é o Uso Racional?

De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), o uso racional ocorre quando o paciente recebe o medicamento adequado à sua condição, na dose correta, pelo tempo necessário e ao menor custo possível. Para o SUS, essa prática não apenas salva vidas, mas gera economia de recursos ao reduzir o tempo de internação e diminuir as filas de espera.

Especialistas reforçam: antes de ingerir qualquer substância, a consulta a um profissional de saúde e a orientação de um farmacêutico são indispensáveis para garantir que a cura não se torne a causa de um novo problema.

Nota de Segurança: Nunca interrompa um tratamento médico sem autorização profissional e evite o uso de indicações de amigos ou familiares. Cada organismo reage de forma única às substâncias químicas.

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Fonte: Comunicação HDT-UFT 

Foto: Reprodução

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