A 5ª edição da CASACOR Tocantins encerrou oficialmente suas atividades no Orquidário de Palmas no sábado, 10 de outubro de 2026. Sob o tema central “Mente e Coração”, a principal exposição de arquitetura, design de interiores e paisagismo do Estado apresentou 35 ambientes concebidos por profissionais da área. A proposta curatorial articulou a preservação e integração da vegetação nativa do Cerrado aos saberes tradicionais, ao resgate da memória histórica tocantinense e às mais recentes tendências do morar contemporâneo.

Sustentabilidade, riqueza geológica e valorização do feito à mão
Um dos grandes eixos da edição foi a utilização de elementos naturais e matérias-primas oriundas do próprio território estadual. O projeto “Pedra Viva”, por exemplo, transformou a diversidade geológica do Tocantins em peças de design, empregando rochas extraídas de Formoso do Araguaia, Xambioá e Dianópolis em mesas, painéis e objetos decorativos que percorriam tons terrosos até os matizes azulados do Lago de Palmas. Em outra vertente, a instalação “Caminho dos Quilombos” utilizou carvão, cerâmica, madeira e arames reaproveitados de lavouras para aproximar a arte da memória das comunidades tradicionais locais.

O fazer manual também ganhou escala inédita durante o evento. A artista e designer Nina Coimbra apresentou uma escultura monumental de 3,25 metros de altura composta exclusivamente por vasos, jarros e cestos de capim-dourado do Jalapão, elevando o artesanato ícone do Estado ao status de obra escultórica. Da mesma forma, o espaço “Terra e Trama” combinou elementos naturais a um mapa do Tocantins produzido a partir de resíduos da indústria têxtil e fibras regionais, enquanto outros ambientes destacaram porcelanas pintadas à mão, aquarelas e peças artesanais em amigurumi.

Memória afetiva, produção artística e integração ambiental
O conceito “Mente e Coração” manifestou-se de forma direta nos projetos ancorados na história e na identidade coletiva. A “Casa Legado”, instalada na antiga capela que abriga o gabinete do prefeito de Palmas, resgatou a trajetória de pioneiros e a formação do Estado por meio de acervo fotográfico, literatura e elementos arquitetônicos. Paralelamente, a produção artística estadual ocupou posição de destaque nos espaços, reunindo criações de nomes como Antônio Netto, Fernando Costa Filho, Iguatemy Lopes, Laís de Freitas, Sarah Gomes, Maria do Rosário Madu, Vinicius Alcerte, Daniel Taveira, Bruna Moreira, Lero, Moss, Winny Tapajós, Dio Carvalho e Misael Rocha, além de instalações da exposição “Povos Indígenas” sob curadoria de Ronan Gonçalves.

A escolha do Orquidário de Palmas proporcionou um diálogo constante entre o paisagismo planejado e a flora preexistente do Cerrado, eliminando barreiras entre os espaços internos e a natureza ao redor. A programação da mostra, que incluiu ainda experiências na culinária regional por meio de restaurante oficial e do espaço ConexãoVeredas, concluiu o período de visitação pública na capital no sábado, 10 de outubro, consolidando a edição como um panorama técnico e cultural do design tocantinense.
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Fonte: CASACOR
Foto: Edgard César / CASACOR