A União Europeia inicia, nesta quinta-feira, 3 de setembro de 2026, a suspensão das importações de carnes e produtos de origem animal oriundos do Brasil. A restrição atinge carnes bovina e de aves, ovos, mel, pescados e animais vivos destinados à produção de alimentos. A medida decorre de exigências operacionais do bloco comunitário sobre o controle do uso de antimicrobianos na cadeia produtiva animal e entra em vigor em meio ao crescimento faturamento das exportações de carne bovina do Estado do Tocantins.
A decisão foi mantida após negociações bilaterais entre autoridades sanitárias brasileiras e europeias não alcançarem um acordo de transição.
Desempenho da carne bovina no agronegócio tocantinense
Segundo dados do Boletim Técnico do Sistema FAET/SENAR Tocantins, extraídos da plataforma Agrostat, a receita das exportações de carne bovina in natura no estado atingiu US$ 179,3 milhões no segundo trimestre de 2026. O montante representa um crescimento de 20,6% em comparação ao mesmo período de 2025, quando o faturamento somou US$ 148,7 milhões. O volume embarcado registrou uma variação negativa de 2,9%, caindo de 30 mil para 29,1 mil toneladas, enquanto o preço médio por quilo exportado subiu de US$ 4,96 para US$ 6,17 no período analisado.
No cômputo geral das cadeias de proteína animal, o estado movimentou US$ 185,7 milhões no mercado externo entre abril e junho, o equivalente a 16,4% das exportações do agronegócio tocantinense.
Participação do mercado europeu e auditoria sanitária
A União Europeia responde por aproximadamente 3,5% do volume de carne bovina exportada pelo Brasil e por cerca de 5,5% da receita total do setor, em função da aquisição de cortes de maior valor agregado. Estimativas de entidades do setor produtivo indicam que o bloqueio pode impactar US$ 1,8 bilhão ao ano em vendas brasileiras de produtos de origem animal. Auditores europeus concluíram recentemente inspeções no sistema de fiscalização brasileiro para avaliar o uso de veterinários antimicrobianos, etapa necessária para a futura repactuação dos certificados de exportação.
O Ministério da Agricultura e Pecuária mantém tratativas para obter o reconhecimento das garantias sanitárias e restabelecer o fluxo comercial para os países membros do bloco.
Fonte: Tocantins Rural | Foto: Ministério da Agricultura / Divulgação