Home TOCANTINS ATA formaliza denúncia contra programa de créditos de carbono do Tocantins no Ministério do Meio Ambiente

ATA formaliza denúncia contra programa de créditos de carbono do Tocantins no Ministério do Meio Ambiente

por Revista Cenariun

A Articulação Tocantinense de Agroecologia (ATA), entidade que representa mais de 30 organizações sociais, entregou ao Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima (MMA) um dossiê detalhando supostas irregularidades no Programa REDD+ Jurisdicional do Tocantins. A entrega ocorreu durante reunião da Comissão Nacional para REDD+ (CONAREDD+), em Brasília, e o material será agora analisado pela ouvidoria do Ministério.

O ponto central da denúncia é o descumprimento da Convenção 169 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Segundo a ATA, o Governo do Estado não garantiu a Consulta Livre, Prévia e Informada (CLPI) junto a comunidades indígenas, quilombolas e populações tradicionais. Lideranças afirmam que as oficinas realizadas foram restritas à discussão sobre a repartição de benefícios financeiros, omitindo informações detalhadas sobre os impactos ambientais, sociais e culturais do projeto nos territórios.

O processo também enfrenta questionamentos da Defensoria Pública da União (DPU) e da Defensoria Pública do Estado (DPE-TO). Em setembro de 2025, a DPU emitiu uma recomendação solicitando a suspensão integral do programa, alegando que as consultas realizadas foram simplificadas e desrespeitaram os modos de decisão próprios dos povos tradicionais. O órgão jurídico também cobrou a revogação de normas da Secretaria do Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Semarh) e a apresentação de um projeto que inclua compromissos reais com a regularização fundiária.

As comunidades tradicionais condicionam o avanço do programa à efetivação de direitos estruturantes. Das 52 comunidades quilombolas certificadas no estado, apenas uma possui título de terra definitivo. Além disso, as organizações cobram a implementação da Lei do Babaçu Livre, que, embora criada há 17 anos, ainda não é cumprida integralmente, gerando insegurança para as quebradeiras de coco.

Outro fator de preocupação levantado pela ATA envolve a empresa suíça Mercuria, que possui contrato para a compra dos créditos de carbono tocantinenses. Um estudo recente da organização Public Eye indicou que o modelo de contrato poderia concentrar a maior parte dos lucros na empresa privada, em detrimento dos benefícios diretos para as comunidades locais.

Atualmente, o programa aguarda o desfecho de uma auditoria iniciada em novembro de 2025. Enquanto as falhas técnicas e jurídicas não forem sanadas, a ATA defende que o Governo do Estado suspenda as próximas etapas, como consultas on-line e audiências públicas. Para as organizações signatárias, o mercado de carbono no Tocantins não deve avançar sem que a segurança jurídica e os direitos territoriais das populações que preservam o Cerrado estejam plenamente garantidos.

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Fonte e Foto: Comunicação APA-TO

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