O Tocantins registrou um acréscimo de 28,4 mil toneladas em sua estimativa de produção agrícola no fechamento do mês de maio, destacando-se entre as principais variações positivas no cenário nacional. Os dados foram consolidados pelo Levantamento Sistemático da Produção Agrícola (LSPA), divulgado no início de junho de 2026 pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O avanço dos indicadores de produtividade foi impulsionado pelo desempenho das lavouras de soja, milho, sorgo e feijão ao longo do ciclo atual da safra.
De acordo com os relatórios analíticos da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a colheita do milho de segunda safra já ultrapassou a marca de 80% da área semeada no estado, apresentando rendimentos por hectare acima das projeções iniciais do mercado. O balanço estatístico reflete o processo de consolidação tecnológica e de diversificação de culturas no cerrado tocantinense, com a expansão de áreas cultivadas e a regularidade do calendário de chuvas nas principais regiões produtoras.
Projeções de safra e desempenho das principais culturas de grãos
O volume total de soja projetado para o Tocantins deve atingir o patamar de 6,11 millions de toneladas no encerramento do ciclo, o que representa uma expansão de 14,2% em comparação com os resultados obtidos na safra anterior. A cultura do milho mantém uma estimativa de produção fixada em 2,7 milhões de toneladas. No segmento de grãos secundários e de cobertura, a Conab estima um crescimento real de 22,9% para a cultura do sorgo e uma evolução de 40,6% para o feijão comercial.
O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Fred Siqueira Sodré, indicou que os índices de produtividade estão atrelados a investimentos estruturais em infraestrutura de transporte, modernização da defesa agropecuária e regularização fundiária. A inserção do território tocantinense na macrorregião do Matopiba — fronteira agrícola composta também por áreas do Maranhão, Piauí e Bahia — confere vantagens competitivas em termos de disponibilidade de terras mecanizáveis e recursos hídricos para o uso de sistemas de irrigação artificial.
Infraestrutura logística e a expansão do feijão-mungo para exportação
O escoamento da produção agrícola estadual apoia-se em uma malha logística multimodal que conecta o interior do estado aos principais portos marítimos do país. O Tocantins utiliza o traçado da Ferrovia Norte-Sul (FNS), operando por meio dos terminais de carga localizados nos municípios de Porto Nacional e Palmeirante. Esse modal ferroviário, associado à malha de rodovias estaduais e federais recuperadas, reduz o custo do frete rodoviário de longa distância e amplia a competitividade dos grãos tocantinenses no mercado internacional.
No segmento de culturas especiais, as lavouras irrigadas de várzea localizadas no sudoeste do estado registram a expansão do cultivo do feijão-mungo-preto. A produção dessa leguminosa concentra-se nos municípios de Lagoa da Confusão, Dueré, Formoso do Araguaia, Cristalândia e Pium. De acordo com relatos dos produtores rurais Michel Luckmann e Andrei Xavier, a cultura tem se consolidado como alternativa econômica devido aos contratos de comercialização antecipada voltados à exportação, atendendo à demanda de mercado de países asiáticos, com destaque para a Índia.
Fonte: Leydiane Lima / Governo do Tocantins | Foto: Tharson Lopes / Governo do Tocantins / Divulgação