Home Agronegócio CNA mapeia custos da pecuária de corte no Tocantins e avalia mercado da banana

CNA mapeia custos da pecuária de corte no Tocantins e avalia mercado da banana

por Revista Cenariun

A Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) realizou um amplo levantamento de custos de produção por meio do projeto Campo Futuro para analisar a realidade financeira da bovinocultura de corte no Tocantins. Os painéis técnicos ocorreram nos municípios de Araguaçu, Paraíso do Tocantins e Colinas do Tocantins, além de uma rodada virtual com produtores de banana da região de Bom Jesus da Lapa, na Bahia. O estudo detalha os indicadores de produtividade, a estrutura de despesas operacionais e os gargalos de rentabilidade enfrentados pelos produtores rurais na safra de 2026.

As avaliações em campo coletaram dados diretamente com os pecuaristas para desenhar as propriedades modais de cada região, que representam o comportamento padrão do mercado local. Os relatórios gerados pela entidade servem de subsídio para o planejamento estratégico de fazendas, tomada de decisões de crédito junto a instituições financeiras e formulação de políticas públicas voltadas ao desenvolvimento do setor agropecuário da Região Norte.

Análise dos custos de cria e recria em Araguaçu e Paraíso do Tocantins

No município de Araguaçu, o painel técnico adotou como referência uma propriedade modal voltada para a atividade de cria, com extensão de 340 hectares de pastagens e um rebanho de 245 matrizes fêmeas para a produção de bezerros. O Custo Operacional Efetivo (COE) dessa estrutura foi calculado em R$ 267,96 por arroba comercializada. Na composição desse valor, os investimentos em suplementação mineral e alimentação do rebanho responderam pelo impacto de 31% do orçamento operacional, seguidos pelos custos com mão de obra contratada, que somaram 19% das despesas correntes.

Em Paraíso do Tocantins, o monitoramento avaliou uma fazenda com infraestrutura superior, estabelecida em 480 hectares de pasto e um plantel de 500 matrizes reprodutoras, apresentando uma escala anual de vendas de 483 animais jovens e de descarte. Nesse modelo intensivo, o valor do COE demonstrou maior eficiência de escala, fixando-se em R$ 189,20 por arroba vendida. A nutrição animal permaneceu como o fator de maior peso financeiro para o criador, concentrando o equivalente a 24% de todos os desembolsos diretos da propriedade.

Cenário de terminação em Colinas e margem na produção de banana na Bahia

O circuito de levantamentos no Tocantins foi encerrado em Colinas do Tocantins, praça onde o foco produtivo concentra-se nas etapas de recria e engorda parcial. A propriedade padrão avaliada baseia-se na compra de bezerros desmamados para a formação de garrotes, destinando um percentual de 20% do lote para o acabamento final em pastagens. O COE nesse sistema atingiu o patamar de R$ 294,54 por arroba, impulsionado pelo peso da reposição de animais, item que concentrou 68% do fluxo de caixa operacional da atividade sob o acompanhamento do assessor técnico Rafael Filho.

Paralelamente às análises da pecuária, a instituição mapeou o polo de fruticultura de Bom Jesus da Lapa, na Bahia, focado no cultivo de banana prata-anã em propriedades irrigadas de 8 hectares. Os dados apontaram uma retração na produtividade média, que recuou de 25 toneladas por hectare em ciclos anteriores para as atuais 20 toneladas por hectare. Os produtores relataram que o aumento do manejo fitossanitário contra o mal do Panamá, aliado a variações climáticas regionais, gerou um cenário de margem bruta negativa, exigindo o aporte de capital externo para a manutenção da atividade no curto prazo, sob a coordenação da assessora Letícia Fonseca.

Fonte: CNA Brasil | Foto: Ministério da Agricultura e Pecuária / Divulgação

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