A colheita da segunda safra de milho de 2026 registrou avanço nas principais regiões produtoras do país, atingindo a marca de 6,7% da área total cultivada no território nacional. Conforme o levantamento conjuntural da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), atualizado com dados consolidados até a última sexta-feira, 12 de junho, o Tocantins assumiu a liderança no ritmo dos trabalhos de campo entre os estados situados fora do eixo tradicional do Mato Grosso. O indicador tocantinense alcançou 8% de área colhida, superando os índices de importantes polos agrícolas como Maranhão, São Paulo, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás.
O desempenho nacional das colheitadeiras representa uma evolução frente aos 3% contabilizados na semana epidemiológica anterior e supera o patamar de 3,9% registrado no mesmo período do ciclo macroeconômico do ano passado. No entanto, a média móvel nacional do quinquênio recente situa-se em 7,3%, evidenciando que o cronograma geral das lavouras ainda opera com sutil defasagem. Os técnicos do setor apontam que as condições climáticas de estiagem nas faixas de transição e o calendário de plantio determinaram ritmos distintos para o escoamento do cereal no mercado brasileiro.
Desempenho regional do Matopiba e o panorama dos estados vizinhos
O monitoramento semanal da Conab evidencia o Tocantins com o segundo maior índice absoluto de colheita no país, situando-se atrás apenas do Mato Grosso, que lidera o ranking nacional com 13% de sua área colhida e apresenta rendimentos por hectare superiores às projeções lineares de início de safra. Na sequência das unidades federativas com maior evolução nos trabalhos, o Maranhão desponta com 5% de área ceifada, seguido por São Paulo com 2%, enquanto Minas Gerais e Mato Grosso do Sul registram 1% cada, e Goiás fecha a listagem com 0,3% de progresso físico.
Nas regiões produtoras do Centro-Sul brasileiro, o ritmo lento decorre do fato de que a maior parte da malha agrícola remanescente encontra-se nos estágios fenológicos finais de enchimento e secagem de grãos. O mapa epidemiológico da cultura indica que 0,7% do milho safrinha nacional está em desenvolvimento vegetativo, 3,7% em fase de floração, 35,2% em enchimento de grãos e 53,7% já em estágio avançado de maturação fisiológica. A concentração majoritária nesta última fase sinaliza uma aceleração logística de colheita para o final do mês de junho.
Quebra de safra no sequeiro do Sudeste e estabilização de preços
Em contrapartida aos números favoráveis do norte tocantinense e do Mato Grosso, as safras de Goiás e Minas Gerais sofreram revisões negativas em seus tetos de produtividade devido à irregularidade pluviométrica. As precipitações registradas no encerramento de maio não foram suficientes para reverter o estresse hídrico sofrido pelas plantas cultivadas em regime de sequeiro. A escassez de água afetou diretamente o peso do grão e o fechamento de espigas, consolidando prejuízos econômicos em cooperativas do Triângulo Mineiro e do sudoeste goiano.
As indústrias de ração e os agentes de exportação acompanham os resultados das pesagens nos armazéns para projetar a formação da curva de preços do cereal para o segundo semestre de 2026. A compensação das perdas do Centro-Sul pela superprodução mato-grossense e pelo bom desempenho do Tocantins deve garantir a estabilidade da oferta interna de grãos. O fechamento dos dados logísticos da Conab servirá de parâmetro para o Ministério da Agricultura dimensionar os volumes de contratos de opção e os estoques reguladores governamentais.
Fonte: Portal do Agronegócio e Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) | Foto: Governo do Tocantins