Home Agronegócio Vazio sanitário da soja começa em 1º de julho para combater ferrugem asiática no Tocantins

Vazio sanitário da soja começa em 1º de julho para combater ferrugem asiática no Tocantins

por Revista Cenariun

O Governo do Tocantins, por meio da Agência de Defesa Agropecuária (Adapec), inicia no dia 1º de julho o período obrigatório do vazio sanitário da soja em todo o território estadual. A medida fitossanitária estende-se até o dia 30 de setembro de 2026 e estabelece a proibição do plantio, além da obrigatoriedade de eliminação de qualquer planta viva da oleaginosa nas propriedades rurais. A estratégia regulatória visa interromper o ciclo reprodutivo do fungo causador da ferrugem asiática, principal patologia que afeta o rendimento das lavouras comerciais no Brasil.

Durante os três meses de vigência da norma, as equipes de fiscalização da autarquia agropecuária realizarão vistorias de campo e monitoramentos por imagens de satélite para assegurar o cumprimento da legislação. Os produtores e ocupantes dos imóveis rurais são os responsáveis legais exclusivos pela erradicação das plantas voluntárias, comumente chamadas de guaxas, devendo utilizar métodos químicos de dessecação ou intervenções mecânicas de trituração do solo para evitar a aplicação de penalidades administrativas e multas.

Estatísticas da safra atual e controle do fungo biotrófico

Na safra de sequeiro de 2025/2026, o Tocantins contabilizou um total de 1,503 milhão de hectares cultivados com soja devidamente cadastrados no banco de dados da Adapec. Essa área produtiva encontra-se distribuída em 2.825 propriedades rurais distribuídas pelas diferentes regiões do estado. O tamanho da malha cultivada reforça a necessidade do cumprimento unificado do calendário fitossanitário para evitar que focos remanescentes do fungo sobrevivam na entressafra e contaminem os plantios do ciclo seguinte.

A ferrugem asiática é provocada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi, um organismo biotrófico que necessita de tecidos vegetais vivos para se alimentar, reproduzir e espalhar seus esporos, que são facilmente transportados por correntes de vento a longas distâncias. Entre os danos diretos causados pela evolução da doença nas plantações estão a desfolha precoce das hastes, o amarelecimento da lavoura, o abortamento de vagens e o comprometimento severo do enchimento dos grãos, reduzindo drasticamente o peso final do produto.

Exceções regulamentadas para pesquisa e sementes nas várzeas

O Programa Estadual da Ferrugem Asiática da Soja, coordenado pelo técnico Cleovan Barbosa, prevê cláusulas de excepcionalidade técnica para a manutenção de plantas vivas durante o vazio sanitário. As autorizações especiais restringem-se aos cultivos de soja destinados estritamente a projetos de pesquisa científica em terras altas ou para campos cadastrados de multiplicação de sementes genéticas. Essas lavouras específicas operam sob monitoramento direto de engenheiros agrônomos.

Outra exceção regulamentada ocorre na macrorregião das Planícies Tropicais do sudoeste tocantinense, onde é permitida a produção de sementes para uso próprio e ensino sob o sistema de subirrigação em áreas de várzea. Esses polos produtivos controlados aplicam protocolos rigorosos de pulverização preventiva e passam por auditorias laboratoriais constantes para atestar a ausência de focos do fungo. O registro fotográfico das lavouras e das ações de fiscalização foi gerenciado pelo profissional Keven Lopes para o arquivo do órgão de defesa.

Fonte: Welcton de Oliveira / Governo do Tocantins | Foto: Keven Lopes / Governo do Tocantins / Divulgação

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