O cenário agrícola do Tocantins ganha um novo e aromático componente: o lúpulo. Durante a Agrotins 2026, o Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins) apresenta a cultura como uma alternativa promissora para a diversificação da produção estadual. A iniciativa é impulsionada por uma parceria com a empresa Hops Brasil, que doou quatro variedades genéticas para a implantação de experimentos técnicos no estado, focando tanto em pequenos quanto em grandes produtores.
Embora o lúpulo seja originário de regiões de clima temperado, o Brasil tem avançado na “tropicalização” da planta. O engenheiro agrônomo Gabriel Cássia Fortuna, da Agrolúpulo, explica que o país é pioneiro no uso de suplementação luminosa artificial para compensar o fotoperíodo necessário para o florescimento, um processo de adaptação similar ao que ocorreu com as frutas no Vale do São Francisco.
Apesar do entusiasmo, a cadeia produtiva nacional ainda enfrenta gargalos, especialmente no beneficiamento. Transformar a planta em pellets (formato utilizado pela indústria cervejeira) exige equipamentos modernos e ganho de escala. Atualmente, o Brasil possui apenas 90 hectares cultivados, uma área pequena para o terceiro maior produtor de cerveja do mundo, que conta com quase 2 mil cervejarias dependentes, em sua maioria, de insumos importados.
Os diferenciais do lúpulo no Tocantins:
- Alto Valor Agregado: O quilo do produto pode variar entre R$ 150 e R$ 200.
- Produtividade: Em condições ideais de manejo, é possível realizar até três safras em um período de 12 a 14 meses.
- Qualidade: Estudos indicam que o lúpulo brasileiro já apresenta qualidade química similar ou superior ao importado.
Para que o lúpulo se consolide no Tocantins, o setor aposta na criação de cooperativas e indústrias especializadas em peletização. O objetivo é padronizar a oferta e garantir que as cervejarias artesanais e industriais possam contar com um produto local de alta rastreabilidade e fitossanidade.
A presença do lúpulo na Agrotins reforça o papel da feira como vitrine de tecnologias disruptivas, provando que, com ciência e manejo adequado, o solo tocantinense é capaz de acolher culturas antes consideradas impossíveis para a região.
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Fonte: Ruraltins / Governo do Tocantins
Foto: David Emanuel – Governo do Tocantins