A interdição total da ponte sobre o Rio Tocantins na BR-235, que liga os municípios de Pedro Afonso e Tupirama, deflagrou uma onda de preocupação entre produtores rurais, transportadores e lideranças do agronegócio no Médio Norte do estado. O bloqueio preventivo, efetuado pelo Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) após a constatação de falhas estruturais, alterou drasticamente a logística regional, impondo desvios que impactam diretamente a competitividade do setor produtivo tocantinense.
De acordo com estimativas técnicas da Cooperativa Agroindustrial do Tocantins (Coapa), o trajeto alternativo sugerido pelo órgão federal acrescenta um percurso de 120 a 130 quilômetros para os veículos de carga. Esse aumento de distância rodoviária projeta um encarecimento imediato nos custos logísticos, estimado entre R$ 8 e R$ 10 por tonelada transportada. O setor teme que o prolongamento da crise crie um gargalo severo no abastecimento de insumos e no cumprimento de contratos internacionais.
Risco para as exportações e contratos de grãos
O presidente da Coapa, Ricardo Khouri, alertou que a interrupção do tráfego afeta diretamente o fluxo de grãos armazenados que precisam seguir até o terminal ferroviário de Palmeirante, de onde são despachados via Ferrovia Norte-Sul rumo aos portos de exportação. Khouri pontuou que as tradings operam com cronogramas logísticos integrados e rígidos, e que a presença de uma barreira física desse porte gera o risco de renegociação e desvalorização do produto regional devido ao encarecimento do frete.
Além do escoamento da produção atual, o bloqueio rodoviário impõe incertezas quanto ao planejamento da próxima safra de verão. A cadeia produtiva depende da regularidade do fluxo da BR-235 para o recebimento de fertilizantes, sementes e corretivos de solo. A principal reivindicação das cooperativas e empresas locais é a instalação emergencial de balsas de grande capacidade de carga, aptas a realizar a travessia de carretas bitrens e rodotrens sobre o Rio Tocantins para restabelecer o canal comercial direto.
Mobilização das entidades de classe e serviços básicos
Os reflexos do fechamento da estrutura também mobilizaram as entidades de representação de classe. O Sistema Faet/Senar, em conjunto com o Sindicato Rural de Pedro Afonso, emitiu um comunicado ressaltando que mais de 100 caminhões pesados utilizavam a ponte diariamente para o transporte de cargas diversas. A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (Faet) informou que acionou a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA) em Brasília para intermediar soluções e cobrar celeridade nos laudos periciais do Governo Federal.
A presidente do Sindicato Rural de Pedro Afonso, Simone Sandri, classificou a interdição como um duro golpe para a economia regional, ressaltando que a ponte é um elo estratégico para a circulação de trabalhadores, insumos e maquinários agrícolas. Paralelamente aos prejuízos do agronegócio, a população civil enfrenta dificuldades cotidianas de mobilidade urbana, com registros de travessias de passageiros e pacientes de saúde em pequenas embarcações, dependendo diretamente do plano de assistência emergencial e suporte viário ativado pela Agência de Transportes, Obras e Infraestrutura (Ageto).
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Fonte: Tocantins Rural
Foto: Ascom Coapa
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