As exportações de bovinos vivos pelo Estado do Tocantins alcançaram um patamar sem precedentes no primeiro semestre de 2026, gerando um faturamento de US$ 60,95 milhões, o equivalente a aproximadamente R$ 311 milhões. O montante financeiro representa uma alta de 307% em comparação com os US$ 14,97 milhões registrados em igual período do ano anterior. O desempenho comercial da pecuária tocantinense é sustentado pelo aumento concentrado da demanda de consumo na Turquia e no Marrocos, conforme mostram os dados oficiais do Comex Stat, sistema de estatísticas do governo federal, apurados pelo portal Norte Agropecuário.
No volume físico de embarques, o estado comercializou 38.917 cabeças de gado entre os meses de janeiro e junho de 2026, apontando um incremento de 241% frente aos 11.409 animais exportados na primeira metade de 2025. Em termos de volume de massa transportada, o crescimento foi de 284%, saltando de 5,16 mil toneladas de peso vivo no ano passado para 19,87 mil toneladas aferidas na temporada corrente, o que evidencia o adensamento logístico dos portos de escoamento utilizados pelos pecuaristas locais.
Concentração de demanda nos mercados da Turquia e do Marrocos
A liderança das aquisições no primeiro semestre de 2026 ficou com a Turquia, nação euroasiática que historicamente figura como um dos principais compradores mundiais de gado vivo. O mercado turco adquiriu 20.172 bovinos tocantinenses neste período, operação que injetou US$ 32,98 milhões na economia pecuária do estado. A preferência por animais jovens e com boa capacidade de terminação em confinamento local balizou os critérios de seleção dos lotes nas fazendas de origem.
O segundo maior destino das vendas externas foi o Marrocos, país do norte da África que vem expandindo suas compras de proteína animal para mitigar os impactos de secas severas e garantir o abastecimento interno de carne vermelha. Os importadores marroquinos adquiriram 18.745 animais, movimentando US$ 27,96 milhões. O volume representa uma evolução acelerada na parceria comercial, visto que no primeiro semestre de 2025 o Marrocos havia importado apenas 2.296 cabeças do Tocantins.
Padronização técnica dos lotes e evolução histórica do faturamento
A análise dos embarques aponta para transações de alta especificidade técnica. A divisão entre o peso total declarado e a quantidade de cabeças indica que a média de peso por animal ficou estabelecida em 510 quilos, confirmando a preferência dos compradores por bois gordos e pesados aptos para o abate imediato nos frigoríficos de destino. Com o preço médio de negociação fixado em US$ 3,07 por quilo vivo, as exportações garantiram margens de rentabilidade consistentes aos produtores, superando as cotações médias do mercado físico interno durante as conversões cambiais.
A atual curva de crescimento consolida a modalidade de exportação de gado em pé como uma alternativa comercial robusta para o setor produtivo tocantinense. O desempenho observado no primeiro semestre de 2026 supera com larga margem os registros históricos do estado, que registrava receitas anuais na casa de US$ 391 mil em 2020 e de US$ 3,64 milhões em 2024. A evolução dos sistemas de controle sanitário e o status de zona livre de febre aftosa sem vacinação contribuem para a abertura de novas frentes de embarques internacionais a partir do rebanho estadual.
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Fonte: Daniel Machado via Norte Agropecuário
Foto: Seagro / Governo do Tocantins / Divulgação