Home Agronegócio Modernização do agronegócio eleva demanda por energia elétrica nas propriedades rurais do Tocantins

Modernização do agronegócio eleva demanda por energia elétrica nas propriedades rurais do Tocantins

por Revista Cenariun

O processo de modernização e a inserção de novas tecnologias no agronegócio transformaram a energia elétrica em um insumo estratégico estrutural para as propriedades rurais do Tocantins. A expansão de sistemas automatizados de irrigação, complexos de armazenagem de grãos, secadores industriais e redes de conectividade ampliou a dependência do fornecimento elétrico estável e contínuo no campo. O cenário exige a readequação e a expansão da infraestrutura de redes de alta e baixa tensão para suportar o adensamento tecnológico que acompanha a consolidação das fronteiras agrícolas no Estado.

O fortalecimento da malha energética funciona como um indutor de competitividade para a cadeia produtiva regional. A presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho do Tocantins (Aprosoja Tocantins), Caroline Barcellos, pontuou que a capacidade de crescimento do setor está diretamente vinculada à segurança no fornecimento de energia. A garantia de um serviço regular é considerada fundamental para mitigar riscos de perdas operacionais em etapas críticas da safra, como o beneficiamento de sementes e a refrigeração de estruturas agroindustriais.

Gestão de custos e expansão do mecanismo de autoleitura rural

A relevância da energia na planilha de custos do produtor rural impulsionou a adoção de ferramentas de gestão de consumo e previsibilidade orçamentária. Uma das práticas em expansão no Tocantins é a autoleitura, procedimento regulamentado pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) que faculta ao próprio consumidor a prerrogativa de reportar mensalmente os dados de medição do relógio. O mecanismo visa conferir maior precisão ao faturamento e evitar a cobrança baseada no histórico de médias aritméticas dos últimos 12 meses.

Os relatórios operacionais emitidos pela concessionária Energisa Tocantins apontam que a autoleitura registrou mais de 160 mil ocorrências ao longo do ano anterior, representando um acréscimo de 25,15% no comparativo com o ciclo anterior. O planejamento técnico projeta que o indicador ultrapasse a marca de 200 mil registros cadastrados no decorrer de 2026. A ferramenta demonstra utilidade logística em áreas de difícil acesso ou distantes dos centros urbanos, localidades onde a leitura presencial dos fiscais da distribuidora ocorre em intervalos mínimos de três meses.

Evolução da oferta energética e transição para o consumo não sazonal

Os levantamentos consolidados de engenharia da distribuidora de energia demonstram que a disponibilidade de potência elétrica instalada no Tocantins experimentou um crescimento de 163% no intervalo dos últimos dez anos. O diretor técnico comercial da Energisa Tocantins, Alberto Cunha, ressaltou que o perfil do consumo rural passou por transformações estruturais, deixando de apresentar características predominantemente sazonais para assumir uma curva de demanda linear e contínua ao longo de todos os meses do ano civil.

O alinhamento técnico entre a concessionária de energia, as associações de classe e os órgãos de planejamento governamental tem servido para subsidiar o cronograma de investimentos em subestações e linhas de transmissão. O mapeamento prévio das regiões com maior potencial para a implantação de pivôs centrais de irrigação e usinas de processamento de grãos permite à distribuidora antecipar as obras de reforço na rede de distribuição, assegurando que o suprimento energético acompanhe as projeções de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio tocantinense.

Fonte e Foto: Energisa Tocantins

Notícias relacionadas