As relações comerciais entre o Tocantins e o Oriente Médio ganharam um novo impulso com a recente visita de uma comitiva internacional ao estado. A Associação dos Produtores Rurais do Sudoeste do Tocantins (Aproest) e o Sindicato das Indústrias de Mineração do Tocantins (Sindimeto) realizaram um encontro institucional em Palmas para recepcionar o embaixador do Qatar no Brasil, Ahmad Mohammed Al-Shaibani, juntamente com representantes da Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras). A reunião teve como foco principal debater investimentos e a abertura de canais de exportação nos setores de agronegócio, mineração, logística e turismo.
O centro das atenções esteve voltado para o mercado halal, um segmento global que movimenta trilhões de dólares anualmente e exige rigorosos padrões de qualidade, sustentabilidade e respeito aos preceitos islâmicos. O presidente da Aproest e do Sindimeto, Wagno Milhomem, ressaltou que as exigências desse mercado se alinham ao modelo produtivo que o Tocantins vem desenvolvendo na região do Matopiba, pautado pela segurança sanitária e pela rastreabilidade. O Brasil já ocupa uma posição de liderança na exportação de proteína animal para o mundo árabe, e o Tocantins busca ampliar sua participação direta nesse fluxo.
Os números do setor pecuário tocantinense foram apresentados como um dos principais atrativos para os investidores. O estado conta com um rebanho superior a 11 milhões de cabeças de gado e, no acumulado de 2025, exportou cerca de 125 mil toneladas de carne bovina, gerando um faturamento de aproximadamente 643 milhões de dólares. O produto consolidou-se como o segundo item mais importante da pauta de exportações do estado, superado apenas pelo complexo da soja.
Um diferencial competitivo destacado diante da comitiva estrangeira é o equilíbrio entre produção e conservação. Estimativas apontam que o Tocantins preserva entre 68% e 72% de sua cobertura vegetal nativa, o que confere um selo de responsabilidade ambiental aos produtos locais em uma era em que o mercado internacional penaliza cadeias produtivas predatórias. A oferta de áreas para expansão e a infraestrutura logística em crescimento completam as vantagens competitivas apresentadas aos diplomatas.
Além da força do campo, o setor mineral também ocupou espaço estratégico nas discussões. Defendido pelo Sindimeto como um dos motores para a verticalização da economia regional, o segmento vive um ciclo de expansão no estado, com a chegada de novos investimentos e o fortalecimento de sua cadeia industrial. A expectativa dos organizadores é de que a aproximação com o governo do Qatar e com os certificadores da Fambras resulte em acordos de cooperação técnica e comercial a médio prazo, elevando a competitividade tocantinense no cenário internacional.
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Fonte: Annady Borges / Ascom Aproest
Foto: Ascom Aproest