Home ARAGUAÍNA 4º Fórum das Águas encerra Semana do Meio Ambiente com balanço de monitoramento hídrico em Araguaína

4º Fórum das Águas encerra Semana do Meio Ambiente com balanço de monitoramento hídrico em Araguaína

por Revista Cenariun

A Prefeitura de Araguaína concluiu as atividades da Semana do Meio Ambiente 2026 com a realização da 4ª edição do Fórum das Águas. O evento técnico reuniu pesquisadores, gestores públicos e empresários locais para debater os usos múltiplos da água, estratégias de conservação de mananciais e os dados consolidados do monitoramento dos recursos hídricos do município. O cronograma que antecedeu o fórum contou com ações de campo, incluindo blitzen educativas nas vias urbanas, plantio de mudas nativas em áreas de preservação permanente, distribuição de 200 árvores à população, mutirão de remoção de resíduos na Prainha da Via Lago e soltura de alevinos nas águas do Lago Azul.

As discussões finais de encerramento focaram no alinhamento de condutas entre as secretarias de fiscalização e as indústrias instaladas na região norte do Tocantins. O consultor ambiental Thiago Pereira Santos, especialista em processos de outorga e licenciamento, pontuou que o espaço de diálogo é essencial para a atualização dos empreendedores quanto às normas regulatórias. O técnico destacou a importância de decodificar as exigências legais e os parâmetros de conformidade ambiental vigentes para que o setor produtivo possa planejar suas operações em consonância com as metas de preservação das bacias hidrográficas locais.

Expansão da malha de monitoramento e controle de descarte de efluentes

O planejamento municipal em execução abrange o acompanhamento sistemático de 40 pontos de interesse hídrico mapeados na região, dos quais 28 já contam com vistorias e análises laboratoriais em caráter regular. O secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Agricultura, Meio Ambiente e Turismo, Joaquim Quinta Neto, explicou que a malha de coleta se distribui desde a cabeceira do Rio Lontra até a sua foz no Rio Araguaia, compreendendo seis estações fixas, além de abranger córregos urbanos utilizados para atividades de lazer pela população, como os mananciais Neblina e Chupé.

A verificação do padrão de qualidade é coordenada por meio de duas ferramentas de gestão ambiental complementar denominadas Banha Araguaína e Monitorágua. O primeiro atua exclusivamente na avaliação do índice de balneabilidade dos locais públicos de recreação. Já o programa Monitorágua é direcionado à aferição analítica dos efluentes gerados por indústrias e complexos institucionais de grande porte, realizando coletas a montante e a jusante dos pontos de descarte de estruturas como plantas frigoríficas, o Presídio Barra da Grota e o Hospital Dom Orione, garantindo que os despejos respeitem os limites regulamentares de saturação.

Inovação tecnológica desenvolvida no IFTO e impactos preventivos na saúde pública

O fórum serviu como vitrine para a apresentação da Hidrocensos, uma startup de base tecnológica incubada e desenvolvida por estudantes e professores no ambiente de inovação IF Maker do Instituto Federal do Tocantins (IFTO). O professor de ciência da computação Alexandre Vilas Boas detalhou que o projeto surgiu a partir de demandas identificadas em um hackathon da Campus Party 2024. A tecnologia consiste em um hardware modular equipado com sensores para a leitura automatizada e em tempo real das condições físicas, químicas e de balneabilidade dos corpos d’água, cuja fase de testes operacionais já está em andamento em parceria com o Laboratório de Águas de Araguaína.

Os reflexos da conservação de bacias hidrográficas no sistema de saúde pública também pautaram as mesas redondas do encontro. O biólogo e docente do curso de Medicina da Universidade Federal do Norte do Tocantins (UFNT), Sandro Estevão, destacou a rotina de análises microbiológicas mensais conduzida pela universidade para investigar a presença de coliformes termotolerantes e outros vetores na bacia do Rio Lontra tanto na estiagem quanto nas cheias. O cientista argumentou que os dados epidemiológicos preventivos balizados pelas normas do Conselho Nacional do Meio Ambiente (Conama) permitem bloquear focos de contaminação hídrica antes que se convertam em surtos de patologias clínicas na rede hospitalar.

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Fonte: Marcelo Martin / SECOM Araguaína

Foto: Marcos Filho Sandes / SECOM Araguaína

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