A cidade histórica de Natividade, no sudeste do Tocantins, recebeu profissionais e estudantes para uma oficina prática de bioconstrução voltada à preservação de técnicas ancestrais. Sob a condução do bioconstrutor Denis Joseph Godoy, o evento focou na produção do adobe — tijolo de terra crua com mais de 6 mil anos de história — e na aplicação de rebocos naturais. A iniciativa, realizada no Canteiro Modelo de Conservação, busca não apenas restaurar o casario colonial da região, mas também promover a autonomia construtiva e o uso de materiais locais de baixo impacto ambiental.
A atividade prática permitiu que arquitetos, engenheiros e restauradores acompanhassem todo o ciclo de produção do adobe, desde a escolha correta da argila até a moldagem e secagem ao sol. O uso da terra crua é uma das marcas registradas das construções mais antigas do estado, presentes também em Porto Nacional.
Além da fabricação dos tijolos, a oficina detalhou a preparação de massas e revestimentos naturais. Esses materiais são essenciais para a conservação de edificações históricas, pois permitem que as paredes “respirem”, evitando a retenção de umidade que danifica estruturas centenárias quando cobertas por cimento convencional.
Os pilares da oficina:
- Seleção de Solo: Identificação da proporção ideal de areia e argila para evitar rachaduras.
- Estabilização Orgânica: Uso de fibras naturais para garantir a liga e a resistência do material.
- Rebocos Naturais: Misturas à base de terra e cal para proteção e acabamento estético.
- Bioarquitetura: Aplicação desses conceitos em projetos contemporâneos que buscam eficiência térmica e baixa pegada de carbono.
A proposta de bioconstrução defendida no encontro dialoga com os princípios da permacultura. Ao utilizar o que a própria terra oferece, reduz-se a dependência de materiais industrializados e o custo de transporte, tornando a construção de moradias mais acessível e integrada ao ecossistema local.
Como um dos principais centros históricos do Tocantins, Natividade utiliza essas oficinas para manter viva a mão de obra especializada em restauro. O conhecimento compartilhado garante que a identidade arquitetônica colonial da cidade seja preservada com fidelidade aos materiais originais.
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Foto: Divulgação via Gazeta do Cerrado