Home Cultura Ofício das quebradeiras de coco babaçu vira patrimônio cultural nacional por lei federal

Ofício das quebradeiras de coco babaçu vira patrimônio cultural nacional por lei federal

por Revista Cenariun

O ofício tradicional exercido pelas quebradeiras de coco babaçu foi oficialmente reconhecido como manifestação da cultura nacional com a sanção da Lei Federal número 15.431. A validação do texto normativo ocorreu durante as agendas institucionais em alusão ao Dia Mundial do Meio Ambiente, sediadas em Brasília. O Governo do Tocantins, por meio da atuação técnica da Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot), manifestou-se acerca da nova legislação, que visa consolidar as salvaguardas jurídicas e os planos de fomento econômico voltados às comunidades extrativistas situadas no território tocantinense.

O dispositivo legal abrange as trabalhadoras atuantes nos estados do Tocantins, Maranhão, Piauí e Pará, conferindo inserção formal a esse segmento no inventário do patrimônio cultural imaterial do país. No cenário tocantinense, o contingente de trabalhadoras exibe maior densidade demográfica nos municípios que integram a macrorregião do Bico do Papagaio, no extremo norte do Estado. O extrativismo vegetal de subsistência desempenhado por essas famílias configura-se como uma das principais matrizes de ocupação laboral e geração de renda autônoma da economia camponesa regional.

Manejo sustentável dos babaçuais e a cadeia de subprodutos

A atividade produtiva baseia-se no aproveitamento integral dos frutos da palmeira nativa do babaçu, espécie vegetal abundante na transição entre os biomas Cerrado e Amazônia. O processo de manejo tradicional compreende as etapas sequenciais de coleta dos frutos caídos ao solo, quebra manual com o uso de machados e separação das amêndoas para o beneficiamento industrial ou artesanal. A técnica não predatória de exploração dos recursos florestais é classificada pelos órgãos de controle ambiental como modelo de desenvolvimento sustentável, visto que preserva a integridade física dos babaçuais nativos.

As amêndoas extraídas pelas comunidades dão origem a uma cadeia diversificada de derivados com apelo comercial no mercado de cosméticos, alimentos e biocombustíveis. Dentre as principais frentes de transformação da matéria-prima destacam-se a extração do óleo virgem para culinária e insumo para a indústria saboeira, o processamento do mesocarpo para a fabricação de farinhas nutricionais, e o reaproveitamento da casca lenhosa para a produção de carvão vegetal de alta caloria e peças de artesanato típico.

Articulação em cooperativas e a preservação dos territórios tradicionais

A organização social das quebradeiras de coco babaçu estruturou-se, ao longo das últimas décadas, sob o modelo de associações de base, cooperativas de comercialização e movimentos sociais unificados. Essa rede de articulação comunitária atua diretamente na mediação de conflitos agrários e na garantia do livre acesso às áreas de preservação ambiental onde se concentram as palmeiras nativas. O secretário estadual da Sepot, Ercivaldo Xerente, enfatizou que o reconhecimento nacional confere legitimidade jurídica às demandas de proteção territorial e preservação das identidades étnicas dessas populações.

Os relatórios técnicos da secretaria apontam que a transmissão dos saberes tradicionais entre as gerações de mulheres funciona como um mecanismo de conservação da biodiversidade no norte do Tocantins. Com o marco legal federal estabelecido, a Sepot planeja alinhar as políticas públicas estaduais de microcrédito e assistência técnica rural para expandir os canais de distribuição dos subprodutos ao longo do segundo semestre de 2026. A meta governamental é assegurar que o valor agregado do beneficiamento do babaçu permaneça integrado à economia das comunidades produtoras.

Fonte: Amanda Melina / Governo do Tocantins | Foto: Dalvanilde Serra / Governo do Tocantins

Notícias relacionadas