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Workshop Rastreia-TO debate implantação de rastreabilidade bovina em Palmas

por Revista Cenariun

O Governo do Tocantins, por intermédio da Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro), realizou na última quinta-feira, 11 de junho, a primeira edição do Workshop Rastreia-TO. O evento técnico foi sediado no auditório do Hotel HPlus Premium, em Palmas, com o propósito de estruturar as etapas para a implantação do sistema de identificação e rastreabilidade individual de bovinos e bubalinos no território estadual. O encontro reuniu pecuaristas, lideranças de entidades de classe, médicos veterinários e gestores públicos para alinhar as ações locais às metas de modernização sanitária e abertura de mercados internacionais de exportação.

A consolidação do sistema de monitoramento individual visa mapear o ciclo de vida produtivo de cada animal, registrando dados cronológicos desde o nascimento na propriedade de cria até o ingresso no estabelecimento frigorífico para o abate. Esse banco de dados centralizado gerará relatórios automatizados sobre a origem territorial, o manejo zootécnico e o histórico vacinal do rebanho. O monitoramento contínuo atua como um mecanismo de salvaguarda para a segurança alimentar e confere transparência aos indicadores exigidos por blocos econômicos de alta exigência comercial.

Intercâmbio institucional e o plano regulatório do Ministério da Agricultura

O aperfeiçoamento dos protocols tocantinenses contou com a análise de modelos de gestão agropecuária implantados em outras regiões do país. O representante do Instituto Catarinense de Sanidade Agropecuária (Icasa), Osvaldo Motto, expốs os resultados obtidos em Santa Catarina, Estado que opera o rastreamento animal militarizado há mais de duas décadas. A experiência catarinense demonstrou que a classificação individual funciona como um ativo de valorização cambial, qualificando a carne bovina para o ingresso em nações com barreiras técnicas rigorosas contra enfermidades vesiculares.

O alinhamento das diretrizes locais ao plano nacional coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) foi detalhado pelo presidente da Agência de Defesa Agropecuária do Tocantins (Adapec), Lenito Abreu. O gestor ressaltou que a agência de defesa dará suporte técnico e fiscalizatório para garantir que a transição ocorra de forma organizada, com atenção especial para a inclusão de pequenos e médios produtores rurais. O secretário da Seagro, Fred Sodré, reiterou que a união de esforços entre o setor público e a iniciativa privada é o caminho para agregar valor à produção e proteger o patrimônio sanitário do Estado.

Gestão interna de rebanhos e a relevância econômica do ativo pecuário

Os reflexos da rastreabilidade eletrônica dentro do perímetro das propriedades rurais foram analisados pelo presidente da Associação Novilho Precoce Tocantins, Fernando Penteado. Sob a ótica do produtor, a substituição do manejo coletivo pela identificação por brincos ou chips individuais otimiza o controle de ganho de peso, a eficiência reprodutiva e o planejamento nutricional do plantel. Fora das fazendas, o sistema assegura a auditoria reversa exigida pelos canais de distribuição do varejo de cortes nobres, assegurando que o produto cumpra os critérios socioambientais vigentes.

O Tocantins possui atualmente um rebanho efetivo calculado em aproximadamente 11,7 milhões de cabeças de gado bovino e bubalino espalhadas por suas macrorregiões produtivas. A cadeia agroindustrial da pecuária de corte configura-se historicamente como o segundo maior ativo econômico na composição do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado, superada apenas pelo volume de negócios gerado pelo complexo da soja. Os relatórios gerados a partir dos debates do workshop Rastreia-TO subsidiarão as próximas normativas estaduais de trânsito e defesa animal ao longo do segundo semestre de 2026.

Fonte: Elmiro de Deus / Governo do Tocantins | Foto: Juliana Mota / Governo do Tocantins

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