O Governo do Tocantins, por meio de uma força-tarefa liderada pela Agência de Defesa Agropecuária (Adapec), deflagrou uma operação de vigilância epidemiológica e prevenção contra a influenza aviária no perímetro do Parque Estadual do Cantão. As atividades de campo tiveram início e estendem-se até a próxima sexta-feira (29), contando com o suporte institucional do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), da Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) e de técnicos do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O Cantão é classificado pelos biólogos como uma área de pouso e descanso dentro das rotas de migração de espécies de aves silvestres no território tocantinense.
Os trabalhos técnicos concentram-se no georreferenciamento cartográfico dos pontos de aglomeração de aves, na avaliação pericial de riscos sanitários locais e na coleta programada de material biológico para análises laboratoriais de amostragem preventiva. Paralelamente às incursões nas áreas alagadas, os fiscais desenvolvem ações de educação sanitária junto às comunidades ribeirinhas e assentamentos rurais da região, instruindo a população local a reconhecer os sinais clínicos suspeitos em aves e a acionar imediatamente as autoridades competentes.
Expansão do banco de dados e proteção dos plantéis comerciais
O gerente de Sanidade Animal da Adapec, Sérgio Liocádio, explicou que a varredura territorial permitirá expandir o banco de dados oficial sobre a movimentação e a sazonalidade das espécies migratórias que cruzam o Tocantins. Segundo o gestor, as vistorias buscam detectar precocemente qualquer alteração na saúde dos animais silvestres, erguendo uma barreira sanitária protetiva que impeça a transmissão do vírus para as granjas e plantéis comerciais de aves do estado, o que geraria prejuízos econômicos severos para as exportações e para o abastecimento interno.
Os comboios de fiscalização baseiam-se em relatórios de sensoriamento e mapeamento prévio realizados ao longo do ano de 2025, rastreando os antigos pontos de pouso e abrindo novas frentes de busca ativa por bandos no interior da unidade de conservação. O Tocantins ocupa uma posição geográfica estratégica por integrar a chamada rota Brasil Central de aves migratórias, um corredor ecológico desenhado ao longo das bacias dos rios Araguaia e Tocantins. O ecossistema estadual abriga ainda outro ponto crítico de monitoramento catalogado pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), localizado na Ilha do Bananal.
Alerta sanitário e canais formais para notificações
A preocupação das autoridades sanitárias justifica-se pelo perfil da Influenza Aviária de Alta Patogenicidade (IAAP – H5N1), uma enfermidade viral com elevado potencial de transmissibilidade que afeta primariamente populações de aves domésticas e silvestres, possuindo também caráter zoonótico, com capacidade de infectar seres humanos expostos ao manejo de animais doentes. O monitoramento contínuo das rotas migratórias é apontado pela Organização Mundial da Saúde Animal como a estratégia mais eficiente para mitigar os riscos de surtos pandêmicos e salvaguardar os índices de saúde pública.
A Adapec reforçou a orientação para que criadores de aves, pescadores, guias de turismo e moradores da região informem imediatamente a agência caso avistem animais debilitados, com comportamentos neurológicos anormais ou que registrem episódios de mortalidade atípica. O registro de suspeitas pode ser efetuado de maneira presencial nas unidades da agência distribuídas nos 139 municípios do estado, por meio da plataforma digital de notificação no portal oficial do governo ou através do canal telefônico gratuito de atendimento pelo número 0800 000 4733.
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Fonte: Adapec / Governo do Tocantins
Foto: Walker Ribeiro / Governo do Tocantins