A Secretaria de Estado da Educação (Seduc) deu início à II Formação Continuada para Profissionais da Educação Escolar Indígena, evento que ocupa o auditório da Universidade Federal do Tocantins (UFT), em Palmas. Conduzido sob o tema “Educação que valoriza identidades, territórios e saberes ancestrais”, o encontro estende suas atividades até a próxima sexta-feira (29), consolidando-se como uma das principais ações do Programa de Fortalecimento da Educação (Profe) Indígena. O circuito formativo mobiliza cerca de 300 participantes diretos, englobando diretores escolares, coordenadores pedagógicos e assessores técnicos das Superintendências Regionais de Educação (SREs).
O escopo do treinamento fundamenta-se na qualificação da governança administrativa e no aprimoramento das matrizes curriculares diferenciadas, comunitárias e bilíngues adotadas na rede. O esforço pedagógico visa sintonizar o atendimento escolar às realidades cosmológicas e sociais das 96 unidades de ensino indígena do estado, beneficiando diretamente os estudantes pertencentes aos oito povos originários do Tocantins: Karajá, Javaé, Xambioá, Xerente, Krahô, Krahô-Kanela, Apinajé e Avá-Canoeiro. O diretor de Educação Escolar Indígena da Seduc, Amaré Gonçalves, pontuou que o diferencial do ciclo atual é o foco nos quadros de gestão, uma vez que a etapa anterior havia concentrado esforços na totalidade dos professores da rede estadual, permitindo agora a modelagem de um planejamento estratégico de longo prazo para as direções.
Representatividade na gestão e especificidades normativas
A inserção de lideranças locais nos postos de comando das instituições foi celebrada durante os debates de abertura. A diretora da Escola Indígena Kasuwamri, localizada no município de Tocantínia, Vanessa Hatxu Karajá, que ingressou na função após aprovação em processo seletivo regulamentar, destacou que a formação subsidia os gestores a equacionar as rotinas burocráticas exigidas pelo Estado com a manutenção dos costumes e das línguas maternas em sala de aula. A gestora enfatizou o significado simbólico e prático da ocupação feminina indígena em cargos de tomada de decisão no ambiente escolar.
A necessidade de consolidação de marcos jurídicos próprios para o segmento foi defendida por órgãos de fiscalização e proteção. A presidente do Conselho Estadual de Educação, Markes Cristiana Oliveira, argumentou que o ecossistema escolar indígena demanda regulamentações flexíveis que respeitem os calendários agrícolas e as tradições de cada etnia, não podendo ser submetido de forma idêntica às regras do ensino convencional. O posicionamento foi endossado pelo diretor de Proteção aos Indígenas da Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot), Rogério Xerente, e pelo coordenador da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) na região Araguaia/Tocantins, Bolívar Pereira Rodrigues Xerente, que reconheceram os esforços logísticos para centralizar o diagnóstico das demandas comunitárias na capital.
Cronograma técnico e governança participativa
O avanço nas políticas de pessoal e infraestrutura foi mapeado pelo presidente do Conselho Estadual Indígena, Robson Haritiãnã, que associou a melhoria dos indicadores de aprendizagem à realização de concursos públicos específicos e à sensibilidade da administração em ampliar os canais de diálogo com as lideranças tradicionais. Os painéis de trabalho estendem-se ao longo da semana abordando eixos técnicos como a aplicação prática do Documento Curricular do Tocantins (DCT) e a estruturação de regimentos internos condizentes com a realidade das aldeias.
Os módulos de oficina prática debatem as diretrizes para a alfabetização bilíngue, metodologias de inclusão sociopolítica e o papel consultivo do Conselho Estadual de Educação Escolar Indígena (CEEI/TO). A grade técnica encerra-se com mesas-redondas focadas no desenvolvimento de competências socioemocionais aplicadas ao ambiente pedagógico e no mapeamento dos principais desafios de logística e conectividade enfrentados pelas equipes técnicas que atuam nas áreas mais isoladas das reservas e terras indígenas tocantinenses.
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Fonte: Núbia Daiana Mota / Governo do Tocantins
Foto: Marcus Vinícius Camelo / Governo do Tocantins