O Sistema FAET/Senar, em cooperação com o Sindicato Rural de Araguaína, iniciou a programação oficial do circuito AgroForte, estruturado como parte das atividades da 58ª Exposição Agropecuária de Araguaína (Expoara 2026). O primeiro dia do evento técnico concentrou debates voltados ao aprimoramento dos índices de produtividade, mecanismos de sustentabilidade ambiental, controle de gestão financeira e inovações aplicadas ao ecossistema do campo. O cronograma de painéis abordou desde os impactos práticos da reforma tributária sobre o produtor rural até a regulação do uso de recursos hídricos e o acesso a novas linhas de crédito agrícola.
As conferências contaram com a participação de pesquisadores e consultores de mercado para transferir tecnologias aplicáveis à rotina das propriedades rurais da Região Norte. A abertura das plenárias coube ao professor Edicarlos Damacena, que expôs os benefícios operacionais dos sistemas integrados de produção como ferramenta para otimizar o uso do solo de forma sustentável. O pesquisador demonstrou como a consorciação entre lavoura e pecuária em uma mesma área geográfica potencializa a regeneração de pastagens degradadas, eleva a rentabilidade por hectare e reduz a emissão de gases de efeito estufa.
Estratégias de terminação intensiva e equilíbrio no fluxo de caixa do produtor
A programação técnica seguiu com a apresentação da consultora Rhaysa Alves, dedicada a analisar as métricas operacionais da Terminação Intensiva a Pasto (TIP). A especialista apresentou dados consolidados de fazendas experimentais, demonstrando os indicadores de desempenho zootécnico e o ganho de peso médio diário dos animais submetidos a esse modelo nutricional. A metodologia foi apontada como um mecanismo eficiente para acelerar o ciclo de abate e responder às exigências de padronização de carcaça demandadas pelas indústrias frigoríficas e pelo mercado de exportação.
O gerenciamento de riscos e o controle do endividamento no meio rural constituíram o eixo central da conferência do palestrante Mark Anderson. O analista debateu os reflexos que a volatilidade das taxas de juros exerce sobre o planejamento de custeio das safras e propôs alternativas administrativas para a renegociação de passivos bancários. A explanação focou em traçar diagnósticos e estratégias de reestruturação do fluxo de caixa, permitindo que os produtores restabeleçam o equilíbrio financeiro diante de oscilações nos preços das commodities agrícolas.
Engajamento institucional e fomento federal para o desenvolvimento do setor
A recepção das soluções tecnológicas foi avaliada de forma positiva por produtores locais presentes nos auditórios do Parque de Exposições Dair José Lourenço. O pecuarista Nasser Iumes argumentou que a sustentabilidade no campo decorre da revisão contínua de processos internos e da busca por maior eficiência biológica e financeira nos rebanhos. O produtor enfatizou que a atuação coordenada entre sindicatos patronais, centros de ensino e órgãos de assistência técnica é o caminho para democratizar o acesso à informação e consolidar o desenvolvimento rural no Tocantins.
A execução do AgroForte em Araguaína viabiliza-se por meio de uma articulação que envolve o Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA) e o Governo Federal, sob a chancela do Termo de Fomento número 976155/2025. Os relatórios analíticos gerados pelas oficinas desta rodada serão integrados ao banco de dados do Senar para subsidiar a formatação dos próximos programas de capacitação e dias de campo. A estratégia visa manter os canais de extensão rural alinhados às constantes atualizações das legislações fiscais e ambientais vigentes no país.
Fonte e Foto: Sistema FAET/Senar