A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro), em cooperação com o Fórum Agricultura Sustentável do Tocantins (Fast), coordenou na última quarta-feira, 10 de junho, as atividades da primeira edição do fórum voltado à difusão de tecnologias agropecuárias de baixo carbono. O evento técnico foi sediado no auditório do Tribunal de Contas do Estado (TCE), em Palmas, reunindo um contingente aproximado de 170 participantes, composto por pesquisadores, produtores rurais, graduandos de ciências agrárias, gestores públicos e operadores do mercado de crédito. A pauta central dos debates fixou-se na modelagem de estratégias para elevar os índices de produtividade regional em consonância com as metas de preservação dos biomas locais.
A convergência entre os elos da cadeia produtiva foi apontada como diretriz regulatória para a expansão do agronegócio tocantinense. O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Fred Sodré, manifestou na abertura dos trabalhos que o fortalecimento da economia rural depende diretamente da conectividade setorial e da transferência de tecnologia aplicada ao campo. O gestor enfatizou que o Estado mantém um cronograma de investimentos estruturantes desenhado para harmonizar a expansão das áreas cultivadas com metodologias de conservação de recursos hídricos e do solo.
Metas do Plano ABC+ para 2030 e os indicadores de Integração Lavoura-Pecuária
O painel de abertura técnica detalhou o cronograma executivo do Plano de Agricultura de Baixa Emissão de Carbono (Plano ABC+), sob a coordenação da gerente estadual do programa, Marla Guedes. A especialista apresentou o balanço das metas fixadas para o horizonte de 2030, ressaltando o papel do Grupo Gestor Estadual ABC+ Tocantins, que aglutina técnicos de 28 instituições parceiras. O principal desafio operacional do comitê consiste em expandir os sistemas de manejo sustentável para uma área superior a 3 milhões de hectares em território tocantinense nos próximos quatro anos, priorizando a reconversão de pastagens em estágio de degradação moderada a severa.
A viabilidade econômica dos sistemas integrados foi ratificada por dados de campo apresentados pelo pecuarista Mauro Lúcio, representante da Associação de Criadores do Pará (Acripará). O produtor demonstrou os indicadores de rentabilidade obtidos por meio da metodologia de Integração Lavoura-Pecuária (ILP), destacando que a rotação de culturas em uma mesma gleba ampara a recomposição de nutrientes do solo, eleva a capacidade de suporte de UA (Unidade Animal) por hectare e dilui os custos fixos da propriedade. O sistema ILP foi apontado como uma das principais ferramentas para a mitigação de gases de efeito estufa na pecuária de corte.
Diretrizes da agricultura regenerativa e linhas de financiamento para o Cerrado
As práticas voltadas à biologia do solo e à segurança alimentar foram analisadas pelo coordenador técnico do Grupo Associado de Agricultura Sustentável (Gaas), Pablo Hardoim. O engenheiro explicitou que as técnicas regenerativas diminuem a dependência de fertilizantes químicos sintéticos de alta solubilidade, conferindo maior resiliência biológica às lavouras diante de episódios de estresse térmico e estiagens sazonais. O palestrante pontuou a necessidade de aperfeiçoar os canais de comunicação do agronegócio nacional para evidenciar os ativos ambientais preservados nas propriedades rurais brasileiras perante o mercado internacional comprador.
O encerramento do circuito de debates abordou a disponibilidade de fundos e mecanismos de financiamento privado vinculados a critérios de governança ambiental. O diretor de operações da SIM Finance, Rafael Arruda, expôs o portfólio de linhas de crédito estruturadas especificamente para o bioma Cerrado, voltadas a produtores rurais que comprovem a regularidade do Cadastro Ambiental Rural (CAR) e adotem padrões de conservação de áreas de preservação permanente. O monitoramento dessas métricas financeiras visa baratear o custo do capital para o tomador que cumpre os requisitos de sustentabilidade em sua planta produtiva.
Fonte: Elmiro de Deus / Governo do Tocantins | Foto: Juliana Mota / Governo do Tocantins