O Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado da Pesca e Aquicultura (Sepea), realizou na terça-feira, 30 de junho de 2026, a etapa estadual da 4ª Conferência Nacional de Aquicultura e Pesca (Cnap). O encontro técnico ocorreu nas dependências da Escola Estadual Professora Elizângela Glória Cardoso, em Palmas. A reunião corporativa congregou pescadores artesanais, aquicultores, gestores de autarquias ambientais, pesquisadores acadêmicos e lideranças sindicais com o objetivo de formatar o plano de diretrizes estratégicas que será encaminhado para a plenária nacional do setor.
Sob o tema orientador “Pesca e Aquicultura: de Política de Governo a Política de Estado – sustentabilidade, participação social e continuidade institucional”, os grupos de trabalho deliberaram sobre eixos de financiamento, regularização ambiental de criatórios e infraestrutura de escoamento. O evento serviu também como base eleitoral para a escolha dos delegados tocantinenses que defenderão as teses regionais em Brasília, assegurando a representatividade de comunidades ribeirinhas e polos industriais de piscicultura perante o Ministério da Pesca e Aquicultura (MPA).
Crescimento estatístico da piscicultura e o programa Trilha da Pesca
Os relatórios setoriais apresentados pela Sepea indicaram que a produção de peixes cultivados no Tocantins atingiu a marca de 20,4 mil toneladas no fechamento do ano consolidado de 2025. O volume representa uma expansão de 12,7% no comparativo com o ciclo anterior, posicionando o estado entre os eixos de maior taxa de crescimento na atividade aquícola do país. O incremento produtivo fundamenta-se na atração de investimentos privados para tanques-rede em reservatórios hidrelétricos e no incentivo ao manejo de espécies nativas em propriedades rurais de médio porte.
Como parte das ferramentas de fomento e assistência técnica, a secretaria destacou as ações executadas pelo programa Trilha da Pesca. A política pública foi desenhada para atuar na cadeia de suprimentos de forma integrada, englobando desde o fornecimento de alevinos de qualidade e capacitação em nutrição animal até o apoio à industrialização do pescado. O foco do programa reside no fortalecimento econômico de pequenos produtores e na inserção de cooperativas locais em canais de comercialização institucionais, como os mercados de alimentação escolar.
Parcerias institucionais e eixos de pesquisa científica
A organização da conferência estadual operou sob um modelo de governança compartilhada entre a Sepea e a Superintendência Federal da Pesca e Aquicultura no Tocantins. O comitê técnico contou com o suporte científico e operacional da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), da Universidade Federal do Tocantins (UFT) e do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), instituições responsáveis pelo desenvolvimento de linhagens genéticas adaptadas e diagnósticos de sanidade aquícola. O monitoramento de campo e a extensão rural receberam o apoio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Tocantins (Ruraltins).
A formatação das propostas comerciais e o mapeamento de linhas de crédito contaram ainda com a consultoria do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae) e da Federação das Indústrias do Estado do Tocantins (Fieto). Os relatórios gerados nos painéis setoriais serão compilados em um documento base focado na desburocratização de licenças de instalação e na criação de fundos de aval para mitigar os riscos operacionais de cooperativas de pesca artesanal perante as instituições bancárias oficiais de fomento.
Fonte: Bianca Marinelli / Governo do Tocantins | Foto: Bianca Marinelli / Governo do Tocantins / Divulgação