Home TOCANTINS Faet debate implementação do programa Rastreia Tocantins e fixa metas de identificação bovina para 2027

Faet debate implementação do programa Rastreia Tocantins e fixa metas de identificação bovina para 2027

por Revista Cenariun

A Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins (Faet) participou ativamente das discussões técnicas do Workshop Rastreia Tocantins, fórum multissetorial convocado para alinhar as diretrizes de implantação do programa estadual de rastreabilidade bovina. O encontro reuniu gestores da administração pública, indústrias frigoríficas, entidades sindicais e pecuaristas com o propósito de harmonizar os procedimentos locais com o Plano Nacional de Rastreabilidade Bovina, coordenado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). A meta central da medida é assegurar o controle de origem e a segurança sanitária de todo o plantel tocantinense.

O evento foi estruturado de forma conjunta pela Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Seagro), Agência de Defesa Agropecuária (Adapec), Superintendência Federal da Agricultura (SFA/Mapa), Sindicato das Indústrias de Carnes (Sindicarne), Fundeagro, Sebrae e Senar. O diretor técnico da Faet, Luiz Cláudio Faria, enfatizou que o monitoramento individualizado do gado constitui um diferencial competitivo indispensável para consolidar a inserção da carne tocantinense em mercados externos de alta exigência cambial e sanitária, a exemplo do bloco da União Europeia e das nações compradoras que demandam a certificação religiosa Halal.

Desafios na agricultura familiar e experiências internacionais de brincagem

Os relatórios censitários apresentados durante o seminário apontaram que o Tocantins detém um rebanho estimado entre 11 e 12 milhões de cabeças de gado. A estratificação dos dados estatísticos revelou que o ecossistema produtivo local é composto majoritariamente por pequenas unidades, somando cerca de 80 mil propriedades rurais que possuem plantéis de até 200 animais. Diante deste perfil econômico micro e pequeno, as câmaras técnicas mapearam a necessidade de canalizar recursos para o suporte veterinário gratuito e o fornecimento subsidiado de insumos de identificação, evitando a exclusão de pequenos produtores das cadeias formais de comércio.

O painel de debates incluiu uma análise comparativa de metodologias aplicadas em outras regiões do continente. As equipes de engenharia de produção avaliaram as barreiras logísticas superadas pelo modelo estadual de Santa Catarina, os gargalos de monitoramento ambiental enfrentados pela cadeia produtiva do Pará e a transição tecnológica executada pelo Paraguai. O governo paraguaio optou por iniciar o processo de brincagem eletrônica exclusivamente pelos animais recém-nascidos, utilizando plataformas digitais simplificadas para diminuir o custo operacional inicial nas propriedades de menor porte.

Grupos de trabalho operacionais e fixação de marco legal para 2027

Os comitês internos do workshop avaliaram as condições físicas reais dos estabelecimentos rurais, focando na precariedade de currais de manejo, nas dificuldades de acesso viário em períodos chuvosos e nos custos de chips e brincos auriculares. As plenárias colheram propostas que contemplam a possibilidade de execução da rastreabilidade diretamente no destino final do gado, conferindo maior flexibilidade operacional para as transações de compra e venda sem comprometer o fluxo de informações repassadas aos bancos de dados da Adapec.

Como resolução jurídica e administrativa principal do encontro, ficou pactuada a data de 1º de janeiro de 2027 como o marco cronológico inicial para a obrigatoriedade da identificação individual de fêmeas bovinas em todo o território do Tocantins. A definição deste prazo legal confere uma janela de transição para que os produtores e a indústria adaptem suas instalações físicas e sistemas de tecnologia da informação, consolidando a modernização do parque pecuário estadual.

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Fonte e Foto: Sistema FAET / SENAR

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