A Polícia Civil do Tocantins, por meio da 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (1ª Deic – Palmas), deflagrou nesta quarta-feira, 24 de junho de 2026, a Operação Dolos. A ação policial cumpre 12 mandados de busca e apreensão nos estados do Tocantins, Goiás e Pará para desarticular uma associação criminosa investigada por estelionato qualificado e lavagem de dinheiro. O esquema gerou um prejuízo estimado em R$ 9 milhões a um empresário do ramo farmacêutico. A ofensiva integra a Operação Brasil Contra o Crime Organizado, sob a coordenação nacional do Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).
As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara Regional das Garantias de Palmas e incluíram medidas de constrição patrimonial, como o bloqueio de ativos financeiros em contas bancárias, o sequestro de bens móveis e imóveis, e restrições de transferência para veículos e embarcações. O juízo também autorizou o afastamento do sigilo de dados telemáticos e a extração das informações armazenadas nos dispositivos eletrônicos recolhidos durante as diligências.
Apreensões patrimoniais e prisão em flagrante na zona rural
Durante as buscas domiciliares e empresariais, as equipes apreenderam documentos contábeis, insumos e produtos vinculados à indústria farmacêutica, automóveis de luxo importados, motos aquáticas, armas de fogo e objetos de valor pessoal. O material apreendido foi indexado ao inquérito penal para servir como conjunto probatório e garantir a reserva de patrimônio necessária para o futuro ressarcimento financeiro da vítima lesada.
Em uma chácara localizada na zona rural de Palmas, um dos investigados, identificado pelas iniciais J.F.S.S., foi detido em flagrante delito. O homem portava uma pistola calibre .380 de uso permitido sem a devida documentação de registro e autorização de posse. O suspeito foi conduzido à Central de Atendimento da Polícia Civil na capital para a lavratura do auto de prisão pelo crime de posse irregular de arma de fogo.
Mecanismo da fraude com licitações e histórico de investigações
O inquérito policial foi instaurado após um investidor do estado do Paraná relatar que foi induzido a aplicar capital em uma distribuidora de medicamentos sediada em Palmas, sob a promessa de participação em licitações públicas para o fornecimento de remédios aos governos da Bahia e do Acre. As investigações da 1ª Deic demonstraram que os contratos eram fictícios, os insumos médicos nunca foram adquiridos e os valores aportados foram desviados para ocultação patrimonial por meio de transações financeiras sucessivas entre empresas de fachada.
O delegado responsável pelo caso, Wanderson Chavez de Queiroz, informou que o principal investigado já havia sido alvo da Operação Ruach, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaego/MPTO), que apura fraudes na compra de respiradores pela Prefeitura de Gurupi. A Operação Dolos contou com o suporte operacional da Polícia Civil do Estado de Goiás (PCGO) e do Ministério Público do Tocantins para a finalização dos mandados no encerramento deste semestre de 2026.
Fonte: João Guilherme Lobasz e Hiago Muniz / Governo do Tocantins | Foto: Hiago Muniz / Governo do Tocantins / Divulgação