Home ARAGUAÍNA “Você não está só”: Empreendedora e mãe atípica transforma ateliê de bonecas inclusivas em Araguaína

“Você não está só”: Empreendedora e mãe atípica transforma ateliê de bonecas inclusivas em Araguaína

por Revista Cenariun

A trajetória de Olga Miranda, fundadora do ateliê Costurando Fofuras em Araguaína, exemplifica os desafios enfrentados por mulheres que buscam conciliar a geração de renda autônoma com as demandas da maternidade atípica. Ao aliar um desejo pessoal de infância à necessidade de acompanhar a rotina de sua filha caçula, diagnosticada com transtorno do espectro autista (TEA), a artesã estruturou um modelo de negócio focado na confecção de bonecas de pano customizadas. Os produtos são projetados para contar histórias e conferir representatividade a crianças com deficiência, estimulando o sentimento de pertencimento e inclusão por meio do brinquedo.

A consolidação comercial e a expansão do ateliê ganharam tração a partir do ingresso da microempreendedora no Empreender Mulher, uma política pública coordenada pela Secretaria Municipal da Mulher de Araguaína. O programa atua como um agente facilitador na abertura de canais de comercialização e no estabelecimento de parcerias institucionais que antes se mostravam inacessíveis para trabalhadoras informais. Olga Miranda pontuou que o suporte técnico e o acolhimento oferecidos pela pasta funcionaram como elementos determinantes para a superação do isolamento social e para a validação de sua proposta de economia criativa.

Desafios da maternidade atípica e eixos de suporte do programa municipal

A realidade vivenciada pela fundadora do ateliê reflete os indicadores que nortearam a criação do Empreender Mulher no município. A iniciativa foi planejada para combater gargalos estruturais como a vulnerabilidade socioeconômica de chefes de família, a escassez de redes de apoio comunitárias e a barreira de acesso a cursos de qualificação gerencial. A secretária municipal da Mulher, Suzana Salazar, explicou que muitas mulheres iniciam a jornada empreendedora motivadas por restrições financeiras ou pela impossibilidade física de cumprir cargas horárias rígidas em postos formais de trabalho devido às rotinas de terapias de seus filhos.

Para mitigar esses fatores de risco e garantir a sustentabilidade das microempresas, o programa estruturou uma plataforma integrada de atendimento dividida em três frentes de atuação. O primeiro eixo foca no mercado e na visibilidade por meio de rodadas de networking, mentorias de negócios e feiras de economia criativa. A segunda vertente prioriza a saúde mental, disponibilizando suporte e acompanhamento psicológico contínuo para gerenciar o desgaste emocional das participantes. Por fim, o terceiro pilar atua na educação financeira, direcionando as assistidas a órgãos especializados para orientação contábil e acesso ao microcrédito orientado.

Indicadores de formalização e crescimento do empreendedorismo feminino

Os relatórios estatísticos monitorados pela administração municipal indicam que as ações de fomento à autonomia financeira geraram impactos diretos nos registros mercantis de Araguaína. Ao longo do ano de 2025, o município contabilizou a abertura de 987 novos registros de Microempreendedores Individuais (MEI) liderados por mulheres, dado que representa um incremento de 28,3% no comparativo com o ciclo anterior. Com esse desempenho, a base de dados local atingiu a marca de 4.477 empresárias de pequeno porte formalizadas e ativas.

A transição para a formalidade jurídica assegura a esse contingente de trabalhadoras a cobertura previdenciária nacional, incluindo o direito a auxílio-doença, salário-maternidade e aposentadoria por idade, além de viabilizar a emissão de notas fiscais e o acesso a contas bancárias empresariais com taxas subsidiadas. A Secretaria da Mulher planeja estender o cronograma de oficinas técnicas e feiras de exposição ao longo do segundo semestre de 2026, mantendo o monitoramento dos índices de faturamento das participantes para mensurar o reflexo da rede de apoio na economia dos bairros.

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Fonte: Marcelo Martin / SECOM Araguaína

Foto: Thiago Santos / SECOM Araguaína

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