Home Justiça Ministério Público intervém no sudeste do Tocantins após detectar falhas na proteção de menores

Ministério Público intervém no sudeste do Tocantins após detectar falhas na proteção de menores

por Revista Cenariun

O Ministério Público do Estado do Tocantins (MPTO), por intermédio da Promotoria de Justiça de Natividade, expediu uma série de recomendações administrativas voltadas às prefeituras de Natividade, Santa Rosa do Tocantins e Chapada da Natividade. A intervenção setorial fundamenta-se nos relatórios de vistorias técnicas que diagnosticaram graves deficiências de infraestrutura, precariedade administrativa e violações aos protocolos de privacidade nos órgãos que compõem a rede de proteção infanto-juvenil na região sudeste do Estado. As municipalidades correm o risco de enfrentar ações civis públicas por improbidade e omissão caso não corrijam as desconformidades nos prazos estipulados.

De acordo com o promotor de Justiça Célio Henrique Souza dos Santos, o diagnóstico pericial revelou o descumprimento de diretrizes básicas do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (Sinase). Entre as principais irregularidades catalogadas pelos técnicos do Ministério Público estão o sucateamento de equipamentos de comunicação institucional, a ausência de salas destinadas à escuta especializada de vítimas de abuso e a completa inexistência de planos formais de metas para a execução das medidas socioeducativas aplicadas a jovens em conflito com a lei.

Privacidade violada em Santa Rosa e problemas de acessibilidade em Natividade

No município de Santa Rosa do Tocantins, a auditoria do órgão fiscalizador constatou que a ausência de computadores e linhas telefônicas oficiais forçava os conselheiros e assistentes sociais a utilizarem equipamentos eletrônicos e redes particulares para a tramitação de denúncias sigilosas, gerando riscos de vazamento de dados. Outro ponto crítico refere-se à falta de um espaço arquitetônico reservado e com isolamento sonoro para a realização da escuta especializada de crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência, descumprindo os parâmetros da legislação federal vigente sobre depoimento especial.

Em Natividade, a sede do órgão de proteção apresentou barreiras arquitetônicas que impedem o acesso de pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, além de deficiências severas no sistema de ventilação dos ambientes de trabalho. O Ministério Público identificou que as salas de atendimento individualizado não possuem tratamento de isolamento acústico básico, comprometendo o dever de confidencialidade das declarações prestadas por menores e seus responsáveis legais. O município também opera sem um Plano Municipal de Atendimento Socioeducativo instituído em lei.

Rachaduras em abrigo de Chapada da Natividade e cronograma de sanções

A situação de maior vulnerabilidade física foi registrada em Chapada da Natividade, onde os fiscais do MPTO apontaram a presença de rachaduras estruturais nas paredes de alvenaria da Casa Provisória de Acolhimento Institucional. O relatório fotográfico anexado aos autos detalha ainda o uso de mobiliário quebrado ou inadequado, ausência de circulação natural de ar e escassez de insumos de informática para as equipes de proteção social especial, além de falhas na padronização da sala de escuta protegida e omissão nos instrumentos de planejamento macro.

Os prefeitos dos três municípios receberam o prazo peremptório de 10 dias para apresentar um cronograma detalhado de execução das obras civis e reformas administrativas necessárias. O Ministério Público fixou o teto de 30 dias para a adoção das medidas iniciais de reestruturação física e aquisição de computadores oficiais, estendendo para 120 dias o prazo final para que o município de Natividade conclua o processo legislativo de criação do seu Plano Municipal de Atendimento Socioeducativo. O acompanhamento dos prazos será auditado pela promotoria regional para aferir o nível de resolutividade das demandas.

Fonte: Geraldo Neto – Dicom MPTO | Foto: Reprodução

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