A Polícia Civil do Tocantins deflagrou, na manhã desta sexta-feira, 26 de junho de 2026, a Operação Sorte Falseada, com o objetivo de desarticular um esquema de lavagem de dinheiro e exploração ilegal de jogos de azar de base digital. A ação foi coordenada pela 1ª Divisão Especializada de Repressão ao Crime Organizado (1ª Deic – Palmas), com o suporte operacional da 7ª Delegacia Regional de Gurupi. As ordens judiciais expedidas incluem mandados de busca e apreensão, sequestro de bens imóveis, bloqueio de veículos e a quebra de sigilo telemático de dispositivos eletrônicos.
A investigação criminal, iniciada no primeiro semestre de 2024 a partir de denúncias anônimas, aponta como alvo principal a influenciadora digital identificada pelas iniciais E.M. De acordo com o inquérito policial, a suspeita utilizava perfis em redes sociais com grande alcance de seguidores para promover plataformas de apostas não regulamentadas por lei, prometendo rendimentos financeiros facilitados. Os relatórios técnicos indicam ainda que a investigada veiculou mídias digitais contendo intimidações contra usuários que manifestavam intenção de acionar os órgãos de fiscalização estatal.
Identificação de movimentações milionárias e ocultação de ativos
A análise dos fluxos financeiros executada pelos peritos da 1ª Deic revelou uma incompatibilidade contábil severa entre a receita formal declarada pela investigada e o patrimônio acumulado em seu nome. O rastreamento bancário identificou indícios de fracionamento de saques em espécie em valores limítrofes inferiores a R$ 50 mil, tática utilizada para evitar os alertas automáticos emitidos pelos órgãos de controle financeiro do Banco Central do Brasil. O esquema utilizava contas de passagem de terceiros e empresas de fachada para pulverizar os ativos.
No período de 12 meses, as contas sob investigação registraram movimentações financeiras de grande porte, incluindo a aquisição de um apartamento residencial em Palmas, quitado mediante o pagamento de cerca de R$ 300 mil em moeda em espécie. O modus operandi configurado pela autoridade policial aponta para a tentativa de dissimulação de origem de recursos provenientes de contravenções penais, estruturando uma rede empresarial fictícia para reinserir os valores no mercado econômico formal.
Cumprimento de mandados judiciais e bloqueio patrimonial
O Poder Judiciário determinou o sequestro do imóvel localizado na capital do estado, avaliado em R$ 300 mil, além do bloqueio de tráfego de uma caminhonete de luxo Toyota Hilux, ano 2024, e de uma motocicleta elétrica. Durante o cumprimento das buscas domiciliares nesta sexta-feira, as equipes policiais apreenderam a quantia de R$ 8 mil em espécie, cédulas de moeda estrangeira em dólar, cartões magnéticos e dispositivos eletrônicos de armazenamento de dados. O tribunal também determinou a suspensão temporária do perfil da influenciadora na rede social Instagram.
O delegado-chefe da 1ª Deic, Wanderson Chaves de Queiroz, esclareceu que os elementos de prova coletados indicam de forma consistente o crime de lavagem de capitais. O delegado-regional de Gurupi, Joadelson Rodrigues Albuquerque, ressaltou que o compartilhamento de inteligência entre as divisões especializadas agilizou o cumprimento das cautelares. O material apreendido passará por perícia forense laboratorial nas próximas semanas. A cobertura de imprensa e a documentação fotográfica oficial foram centralizadas pelo assessor de comunicação Hiago Muniz.
Fonte: Hiago Muniz / Governo do Tocantins | Foto: Hiago Muniz / Governo do Tocantins / Divulgação