A Secretaria Municipal de Saúde de Araguaína estruturou um plano de contingência e reorganização dos fluxos assistenciais na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e na Unidade Básica de Saúde (UBS) Araguaína Sul. A medida foi adotada após o Hospital Regional de Araguaína (HRA) dar início à implantação do “protocolo vaga zero”, passando a operar de forma fechada e exclusiva via sistema de regulação do Estado do Tocantins. Técnicos municipais e gestores de saúde da região reuniram-se nesta sexta-feira, 10 de julho de 2026, para alinhar o direcionamento dos pacientes e evitar a sobrecarga dos serviços de urgência municipais.
A alteração no modelo de acolhimento hospitalar decorre do cumprimento de uma determinação judicial direcionada ao Poder Executivo Estadual. Com a mudança, a UPA de Araguaína passa a absorver a demanda espontânea de pacientes com quadros clínicos de baixa gravidade que anteriormente buscavam o pronto-socorro do hospital regional, além de assumir de forma temporária, até o dia 21 de julho, o atendimento inicial de fraturas expostas localizadas nas falanges (dedos) de moradores do município.
Divisão de perfis clínicos e critérios de regulação ortopédica
O ordenamento do Sistema Único de Saúde (SUS) em Araguaína mantém as competências técnicas de cada nível de complexidade. A UPA permanece como a unidade de referência para urgências e emergências de média complexidade, prestando serviços de estabilização clínica e manejo de traumas leves, tais como entorses, contusões, luxações e fraturas fechadas de ossos curtos. Casos graves, que exijam intervenções cirúrgicas de grande porte, são estabilizados na unidade municipal e encaminhados para a regulação de leitos estaduais.
Por outro lado, o Hospital Regional de Araguaína retém a responsabilidade exclusiva pelo tratamento de patologias de alta complexidade. Estão inseridos neste perfil os pacientes politraumatizados, portadores de fraturas em ossos longos, além de vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC), Infarto Agudo do Miocárdio (IAM), grandes queimados e indivíduos em episódios de surto psiquiátrico agudo. O encaminhamento para estas alas hospitalares passa a depender obrigatoriamente da triagem e autorização prévia da Central de Regulação.
Mecanismo de triagem às segundas-feiras e estatísticas assistenciais
Para conter os picos de demanda identificados historicamente nas manhãs de segunda-feira, a gestão municipal implantou um mecanismo de triagem compartilhada. Os usuários que apresentarem sintomas leves e sem classificação de risco para urgência serão redirecionados de forma imediata para a UBS Araguaína Sul, localizada ao lado da UPA. A unidade básica recebeu reforço no quadro de médicos e enfermeiros para absorver o fluxo ambulatorial, garantindo consultas, renovação de receitas e exames preventivos sem comprometer o atendimento de emergência vizinho.
Os relatórios operacionais consolidados pelo Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), gestor da UPA, apontam que entre os dias 1º e 9 de julho de 2026 foram realizados 2.364 atendimentos, mantendo uma média de estabilidade na transição do novo fluxo. O balanço estatístico detalha que 46,66% dos casos foram triados como urgência menor, 42,39% como urgência, 11,17% como urgência maior e 0,34% como emergência zero. O volume monitorado na primeira semana de transição indica um comportamento linear quando comparado ao consolidado do mês de junho, que fechou com 9.266 acolhimentos.
Fonte: Marcelo Martin / SECOM Araguaína | Foto: Thiago Santos / SECOM Araguaína / Divulgação