O Tocantins iniciou os trabalhos de campo para o recolhimento das culturas de segunda safra sob a projeção de índices positivos de produtividade e volume de grãos. O avanço da colheita do milho, do gergelim e do feijão-mungo sinaliza o fortalecimento dos sistemas produtivos locais, atuando diretamente no processo de diversificação da matriz agrícola e na ampliação da pauta de exportações do Estado. De acordo com os dados técnicos consolidados no oitavo levantamento da safra 2025/2026 da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), a regularidade do regime de chuvas nas principais microrregiões agrícolas favoreceu o enchimento de grãos e o desenvolvimento vegetativo das plantas.
O milho de segunda safra desponta como a principal cultura de sucessão após a retirada da soja, ocupando uma área calculada em 441,6 mil hectares em todo o território estadual. A Conab estima que o volume total de produção do cereal atinja a marca de 2,29 milhões de toneladas, o que equivale a mais de 23% do montante global de grãos projetado para o Tocantins no atual ciclo de mercado. Os números consolidam a posição estratégica do Estado na composição do Matopiba, região considerada uma das principais fronteiras agrícolas e logísticas do país.
Expansão do gergelim e do feijão-mungo com foco no comércio com a Ásia
O gergelim reafirmou sua importância econômica nas áreas de cerrado do Tocantins, mantendo uma produção estimada em 48,5 mil toneladas para o atual período de comercialização. A oleaginosa é cultivada de forma estratégica para atender demandas específicas do mercado global, sendo exportada prioritariamente para nações como China, Índia, Japão e Coreia do Sul, além de abastecer indústrias de alimentos saudáveis localizadas em países do Oriente Médio. O grão oferece aos produtores locais uma alternativa de cultivo adaptada aos períodos de transição climática para a estiagem.
Paralelamente, o cultivo do feijão-mungo tem registrado incremento na preferência dos agricultores tocantinenses devido às suas características agronômicas de ciclo curto e menor exigência de aportes financeiros em insumos químicos quando comparado a outras leguminosas. Classificado nos dados oficiais como feijão de segunda safra, o produto atende quase que na totalidade ao mercado externo asiático, onde é processado e consumido em larga escala na alimentação humana. O engenheiro agrônomo da Seagro, Thadeu Teixeira Júnior, explicou que esses cultivos alternativos promovem a sustentabilidade do solo por meio do fornecimento de palhada para o sistema de plantio direto e ampliam a eficiência no uso da terra ao longo do ano.
Demandas agroindustriais e projeção recorde de grãos para o encerramento do ciclo
O cenário de consumo do milho em território tocantinense projeta transformações estruturais motivadas pela instalação de complexos industriais voltados à produção de etanol de matriz cerealífera. O adensamento dessa cadeia agroindustrial deve gerar uma demanda permanente pelo grão no mercado interno, concorrendo de forma saudável com as tradicionais exportações e com o suprimento das fábricas de ração destinadas à avicultura e suinocultura regionais. O surgimento desta nova fronteira de processamento local impulsiona investimentos privados na ampliação da capacidade de armazenagem e na modernização das redes de transporte rodoviário do Estado.
O encerramento do ciclo macro da safra 2025/2026 aponta para uma produção total de grãos estimada em 9,94 milhões de toneladas no Tocantins, dado que sinaliza uma expansão superior a 8% na comparação direta com os resultados obtidos no período agrícola anterior. O secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Fred Sodré, ponderou que o desempenho consolidado resulta da incorporação de pacotes tecnológicos de precisão pelos agricultores, aliada a políticas públicas integradas de infraestrutura. A diversificação de culturas atua, desse modo, como o principal mecanismo de mitigação de riscos climáticos e mercadológicos para a economia do campo.
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Fonte: Governo do Tocantins
Foto: Seagro / Governo do Tocantins