O som dos atabaques e o branco das vestes tradicionais transformaram a Praia da Graciosa, em Palmas, no último sábado (28). O 3º Presente de Iemanjá do Tocantins reuniu centenas de fiéis, lideranças de comunidades de terreiro e autoridades para celebrar a ancestralidade e reafirmar a luta contra o preconceito. O evento, que culminou com a entrega de balaios floridos às águas do Rio Tocantins, consolidou-se como um marco de cidadania e liberdade de crença no estado.
A programação teve início no Terreiro Ilê Odé Oyá e seguiu em carreata até a orla de Palmas. Para os participantes, o ato vai muito além do ritual religioso; é um espaço de afirmação de direitos.
O evento integrou o “Primeiro Festival Cultural e de Geração de Renda”, realizado pela Associação A Barraca. Além da parte espiritual, o projeto foca na economia criativa das comunidades de matriz africana, oferecendo oficinas e promovendo saberes tradicionais.
Pela primeira vez, a celebração contou com um suporte robusto de órgãos do sistema de justiça, reforçando que a intolerância religiosa é crime e deve ser combatida:
- Ministério Público do Trabalho (MPT-TO): A procuradora Cecília Amália Cunha lembrou que o respeito à diversidade também é uma pauta do mundo do trabalho.
- Defensoria Pública (DPE-TO): A defensora Franciana Di Fátima colocou os serviços do Núcleo de Direitos Humanos à disposição do povo de terreiro para combater o racismo religioso.
O ponto alto aconteceu às 15h30, quando embarcações levaram as oferendas biodegradáveis para o leito do Rio Tocantins. O “xirê de praia” reuniu grupos de capoeira e coletivos culturais, mostrando que a tradição sobrevive e se fortalece no coração da capital.
“O Presente de Iemanjá é um ato de afirmação da nossa identidade e de luta contra a intolerância. Cada casa aqui representa uma contribuição para a cultura do nosso estado”, afirmou William Vieira, coordenador do evento.
O 3º Presente de Iemanjá encerra o mês de fevereiro deixando uma mensagem clara de pluralidade. Em um estado diverso como o Tocantins, a ocupação de espaços públicos por religiões de matriz africana, com o apoio de instituições de direito, é um passo fundamental para que a liberdade de culto deixe de ser apenas uma letra na Constituição e se torne uma prática respeitada por todos.
#RevistaCenariun #IemanjáPalmas #CulturaAfro #PraiaDaGraciosa #FéEResistência #Tocantins #IgualdadeRacial #DireitosHumanos #ReligiãoDeMatrizAfricana
Foto: Rafael Cardoso/Divulgação