O Governo do Tocantins, por meio da Agência de Defesa Agropecuária (Adapec), emitiu um comunicado oficial orientando os produtores rurais sobre o encerramento da janela excepcional para o plantio de sementes de soja na região das várzeas tropicais, agendado para o próximo domingo (31). O período especial de semeadura foi aberto em 20 de abril, seguindo um cronograma fitossanitário que estabelece o dia 20 de setembro como o prazo limite regulamentar para a conclusão de toda a colheita nas propriedades autorizadas.
A concessão desse calendário diferenciado nas planícies fluviais conta com a homologação do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa). O responsável técnico pelo Programa Estadual de Controle da Ferrugem Asiática da Soja, Cleovan Barbosa, esclareceu que o cultivo durante o período de entressafra nacional ocorre sob condições restritas, sendo direcionado exclusivamente para o desenvolvimento de pesquisas científicas, atividades de ensino acadêmico, multiplicação de sementes comerciais e formação de reserva para uso próprio dos agricultores, modalidade amparada juridicamente como salva legal.
Critérios para autorização de cultivo e amostragem de dados
Para ingressar no sistema de produção das várzeas, as diretrizes da Adapec exigem a obtenção de uma licença prévia. Os cotonicultores e sojicultores devem formalizar o pedido junto a uma das unidades da agência de defesa mediante o protocolo de um dossiê técnico. O conjunto documental obrigatório inclui o cadastro atualizado da propriedade rural, o plano de trabalho agronômico detalhado, o termo de responsabilidade civil e técnica assinado por um engenheiro agrônomo e o croqui cartográfico georreferenciado das lavouras. Os formulários padrão estão disponíveis para download no portal eletrônico do órgão estadual.
Os dados consolidados pela gerência de sanidade vegetal apontam a magnitude econômica desse ecossistema agrícola irrigado. No ciclo correspondente ao ano de 2025, o Tocantins registrou o cultivo de 50.364 hectares de soja sob o regime de várzeas tropicais, abrangendo uma malha produtiva de 93 propriedades rurais cadastradas. Devido às particularidades climáticas da região, os inspetores da Adapec executaram um protocolo de monitoramento epidemiológico semanal cobrindo a totalidade da área plantada, com o intuito de rastrear focos iniciais de pragas e fungos. A área de abrangência geográfica do decreto concentra-se nos municípios de Lagoa da Confusão, Pium, Formoso do Araguaia, Cristalândia, Santa Rita do Tocantins e Dueré.
Impactos da ferrugem asiática e o manejo fitossanitário
O rigor na fiscalização das datas de plantio e colheita constitui a principal barreira sanitária do estado contra a proliferação da ferrugem asiática. Considerada a patologia de maior potencial destrutivo para a cultura da oleaginosa no país, a doença é desencadeada pelo fungo Phakopsora pachyrhizi. O microrganismo possui alta capacidade de dispersão epidemiológica, utilizando as correntes de vento para contaminar lavouras vizinhas em curto espaço de tempo, o que exige ações coordenadas de contenção em todo o território estadual.
Os prejuízos econômicos associados à infecção fúngica decorrem da indução de um processo de desfolha precoce nas plantas de soja. Esse fenômeno interrompe o ciclo natural de fotossíntese e compromete diretamente a formação granulométrica e o peso final dos grãos, reduzindo drasticamente os índices de produtividade por hectare. O cumprimento rigoroso do vazio sanitário e das janelas de plantio autorizadas visa interromper o ciclo evolutivo do fungo na entressafra, assegurando a viabilidade comercial das safras subsequentes no Tocantins.
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Fonte: Governo do Tocantins
Foto: Marley Camilo / Governo do Tocantins